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A paz no fim do beco

*Paulo Rego

A propaganda de Putin celebra a visita de Xi Jinping a Moscovo como prova de uma aliança divisionista, que manda num lado do mundo, deixando do outro Estados Unidos e aliados. Mas Pequim não diz nada disso. O que defende o ministro dos Negócios Estrangeiros, Qin Gang, é que a aliança com a Rússia não pode prejudicar a relação da China com o resto do mundo. Mas está a acontecer… Surpreendente, de facto, é a tese de Hu Wei: “A China só pode salvaguardar os seus próprios interesses ao escolher o menor de dois males, afastando-se da Rússia o mais rápido possível”.

Académico de peso na ciência política, vice-presidente do Centro de Pesquisa de Políticas Públicas do Gabinete do Conselho de Estado, Hu explica que a guerra entre a China e os Estados Unidos é tecnológica – não é ideológica – descartando por isso qualquer interesse chinês num mundo bipolar – estilo guerra fria. E assume que a aliança com a Rússia prejudica a China. Em termos económicos, e na relação com outros países. Já Estados Unidos e NATO, alerta Hu Wei, estão a ganhar terreno e aliados.

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Esta visão, contrária ao discurso oficial, mostra bem como é difícil este equilíbrio. É evidente que Pequim quer a aliança com a Rússia. Não quer é a guerra na Ucrânia, muito menos uma fratura na globalização que corte à economia chinesa acesso aos mercados internacionais. Tudo isto é verdade ao mesmo tempo. O que é tudo conjugável – enquanto a guerra durar.

Xi Jinping vai certamente celebrar a aliança com Putin… mas também vai forçar a paz na Ucrânia. A mediação chinesa, criticada ao início, vai agora somando apoios. Por um lado, é a única via negocial possível; por outro, já toda a gente percebeu que a motivação de Pequim é mesmo real.

É cada vez mais difícil perceber se a guerra ainda serve alguém. E ninguém sabe muito bem como lhe pôr fim. Aí, reconheça-se, Xi Jinping é nesta altura o homem mais bem colocado do planeta para tentar.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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