“Nós estamos muito preocupados, sim. As empresas brasileiras estão preocupadas”, afirmou Laudemir Müller, em entrevista à Lusa, destacando que a medida poderá atingir um conjunto alargado de produtos de origem animal.
À margem de um evento pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), para reforçar o debate sobre as oportunidades do acordo Mercosul-União Europeia (UE), Müller questionou a abrangência da medida europeia, que poderá afetar produtos com caraterísticas e sistemas de produção muito diferentes, dando como exemplo o mel produzido na Amazónia e a carne bovina.
“Se uma medida dessas pega, todos os produtos de origem animal, veja a diferença que tem entre um mel orgânico aqui da Amazónia e, sei lá, uma produção de carne bovina. Ou seja, é um pouco difícil de entender”, afirmou.
“Não estamos a falar de um produto que tem um contaminante, um produto que não está enquadrado, nada disso. Nós estamos a falar quase que de uma burocracia, de uma forma de gerir aqui e uma forma de gerir diferente lá”, insistiu o responsável brasileiro.
Ainda assim, o presidente da ApexBrasil disse esperar que as autoridades sanitárias brasileiras e europeias cheguem rapidamente a um entendimento que permita evitar a aplicação das restrições.
“A minha expetativa, como presidente da Apex, que promove os produtos brasileiros no exterior, no caso, na Europa, é que esse entendimento aconteça logo e que essa medida seja desnecessária”, frisou, reconhecendo que o cenário será negativo para as empresas brasileiras caso não haja um entendimento entre as partes.
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“Se não houver acordo isso vai ser muito ruim”, afirmou, acrescentando que a medida afeta pequenos, médios e grandes produtores e poderá atingir “todo o sistema”.
Apesar das preocupações com o mercado europeu, o presidente da ApexBrasil destacou que o Brasil está a acelerar a diversificação dos destinos das suas exportações, procurando reduzir a dependência de mercados específicos num contexto internacional de maior fragmentação comercial.
“O Brasil está fazendo isso, e nós estamos crescendo, a exportação brasileira bateu o recorde este ano. O Brasil deve se tornar um dos grandes exportadores de alimentos, é uma grande contribuição na segurança alimentar e nós estamos trabalhando muita diversificação”, destacou, admitindo, contudo, que “com a Europa é diferente”.
“Com a Europa a gente compartilha história, a gente compartilha valores”, para além do acordo, já em vigor desde maio, entre o bloco europeu e o Mercosul, sublinhou.
Pouco mais de uma semana depois da entrada em vigor de forma provisória do acordo comercial entre a UE e o Mercosul, a União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar animais destinados à alimentação humana e produtos de origem animal, por incumprimento das regras no uso de antimicrobianos.
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“A Comissão confirma que o Brasil não está incluído na lista, o que significa que deixará de poder exportar para a UE mercadorias (tanto animais vivos destinados à produção de alimentos como produtos derivados), tais como bovinos, equinos, aves de capoeira, ovos, aquicultura, mel e invólucros, com efeitos a partir de 03 de setembro”, disse à Lusa a porta-voz da Comissão Europeia com a pasta da Saúde, Eva Hrncirova.
Para ser incluído na lista de países terceiros autorizados a exportar para a UE, “o Brasil deve garantir o cumprimento dos requisitos da União relativos à utilização de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais dos quais provêm os produtos exportados”, referiu a porta-voz.
As regras da UE integram a agenda “Uma Só Saúde” (‘One Health’) da UE para combater a resistência antimicrobiana e aplicam-se aos produtores da UE desde 2022.