A terceira vida do Chefe - Plataforma Media

A terceira vida do Chefe

Entrou com impacto, rede política nacionalista e uma energia de comando que foi uma lufada de ar fresco. Mas a Covid-19 tudo levou…

Três anos depois, Ho Iat Seng abandona a política de casos zero sem a aura de empreendedorismo, visão estratégica e capacidade executiva que o envolvia. Como é também uma incógnita o impacto que tem hoje na capital, onde cresce a tentação de culpabilizar líderes regionais. E assim começa a corrida para o segundo mandato.

Ho Iat Seng tem bons trunfos. Por um lado, a população está rendida à ideia de que a escolha do Chefe não lhes diz respeito – é um problema entre Pequim e as elites locais. Depois, cumpriu as missões que lhe foram impostas no cerco pandémico, no ataque ao jogo VIP e na agenda patriótica. E por muito que tenha delapidado a reserva financeira, há lá que chegue e sobre para este mandato – e o outro. Finalmente, tendo seguido cegamente o poder central, teoricamente Ho Iat Seng segurou o seu destino. Se nessa altura os decisores forem os mesmos, e pensarem da mesma maneira…

Onde é que Ho Iat Seng corre mais riscos?

Primeiro, no próprio colégio eleitoral. Não existe propriamente para discordar do poder central, mas pode influenciar a opinião que se forma em Pequim. Aí, se a elite de Macau disser o que hoje se ouve na cidade… Ho Iat Seng tem um problema.

Leia também: Ho Iat Seng diz que os tempos mais difíceis estão a passar

Depois, nem sequer é justo exigir que, em dois anos, as receitas dos casinos disparem e a diversificação económica se cumpra. Não há contexto político nem dinâmica económica para isso; nem mesmo que agora, por milagre, se multiplicassem investimentos na Grande Baía e nos Países Lusófonos.

Não vai acontecer.

Finalmente, Ho Iat Seng enfrenta um problema de isolamento, criado por um estilo de governação palaciano, conservador e fechado sobre si próprio. Sendo isso muito difícil de inverter – até porque é o seu estilo – e pode não encaixar no próximo ciclo.

Uma coisa é certa: sendo a RAEM tão pequena, e a sua economia tão rentista, tão dependente do Estado, o sucesso do seu líder é sempre o sucesso da cidade.

Esse é o maior trunfo que Ho Iat Seng tem.

Que o saiba usar…

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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