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Estratégia ou ilusão

Paulo RegoPaulo Rego*

Na previsão orçamental para 2023, o Chefe do Executivo limita-se mais uma vez a fazer cópia e cola da receita fiscal inscrita em anos anteriores: 130 mil milhões de patacas. Em 2022, já se sabe, falha redondamente – dificilmente ultrapassará 45 mil milhões.

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Aliás, como esteve sempre condenado a falhar, nos anos da recessão pandémica. E, contudo, continua a insistir… pelo que restam duas conclusões possíveis: ou simplesmente se limita a manter a ilusão – sem qualquer visão estratégica – ou tem nesta altura dados que lhe permitam pensar que é desta que a economia arranca.

Há, agora, um dado novo: pelo que nos é dado a perceber por fontes das operadoras, as seis atuais concessionárias – bem como a sétima concorrente – estarão já rendidas a um caderno de encargos imposto pela Comissão de Jogo, que inclui fortes investimentos na produção de eventos e espetáculos.

Está em curso uma nova lógica de rebranding da cidade: agora os turistas que vêm da China já não chegam para jogar, aproveitando para ver Macau; são antes clientes do MICE, da cultura e lifestyle… e aproveitam para jogar. No curto prazo, a questão está na conta: desde que haja nas mesas receita para pagar tudo o resto… está tudo bem. Mas para isso a cidade tem de abrir – e mudar de mindset. Caso contrário, o Estado andaria a enganar as operadoras.

E isso não faz sentido.

Muita tinta ainda há-de correr no debate que esta viragem exige; e já nem vale a pena continuar a discutir o tempo obviamente perdido – pelo menos há dez anos que se sabia que teria de ser assim. Agora, é andar para a frente… contra a concorrência feroz de outras jurisdições, bem mais sedutoras do ponto de vista turístico, como Singapura, Tailândia, Japão ou Dubai.

Admitindo que a receita fora das mesas de jogo possa gradualmente crescer, a pressão orçamental, no curto e no médio prazo, é óbvia; quer para o resultado operacional das empresas, quer para a receita fiscal que produzem.

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E, neste contexto, ou Macau inverte rapidamente a política de controlo pandémico – quiçá mesmo anulando-a, pelo menos no corredor com Hong Kong – ou as previsões de Ho Iat Seng voltam a não fazer sentido.

Há nesta altura muita especulação – e nenhuma certeza – sobre a política dinâmica de casos zero. Não restam é quaisquer dúvidas de que não haverá conferências exibições, espetáculos… muito menos captação de jogadores nos mercados a ocidente – outra exigência da Comissão de Jogo – enquanto se mantiverem as restrições pandémicas em vigor.

Para sair da ilusão, e passar a uma estratégia, há que dar um passo de cada vez.

Para além de ter de abrir fronteiras, Macau é nesta altura uma cidade pouco atrativa, a vários níveis. Falta massa crítica, cor e alegria – para ser brando e sintético.

O que é claro é que as infraestruturas dos casinos não chegam para transformar Macau nesse destino atraente para lá das mesas de jogo. E essa discussão tem de ser feita com uma seriedade que hoje não se vê.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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