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Visão clara

Guilherme RegoGuilherme Rego*
Guilherme Rego

Outrora um aclamado caso de sucesso, embora pesasse aos residentes, a política de casos zero teve um volte-face e progride para um estado de contestação que só tende a agravar a cada peça que mexe nesse sentido. As repercussões têm vários níveis. O ritmo de crescimento económico da China está a desacelerar e caminha para os níveis mais baixos das últimas décadas.

Até mesmo as viagens domésticas abrandaram, sendo que os turistas temem a ressurgência do vírus – afetando diretamente o consumo interno, que regista altos e baixos, altamente ligados às novas políticas de prevenção da pandemia. Este modo de lidar com a Covid-19 afeta e muito as regiões autónomas de Hong Kong e de Macau.

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Segundo o princípio “Um País, Dois Sistemas”, ambas alinham a sua política de prevenção viral com o continente chinês, e aguardam diretivas, sejam estas positivas ou negativas para dinamização das suas principais atividades. E prova-se que a incapacidade de coexistir com o vírus aliena a recuperação económica.

Ao olhar para fora, as consequências para os mercados globais também são significativas. Em virtude da identidade do jornal, dou o exemplo dos Países de Língua Portuguesa: Angola e Brasil, fornecedores de matérias-primas, estão a ter dificuldades no escoamento para a China – o seu principal mercado de exportação de petróleo, minério de ferro e soja.

Porém, a nível social também se sente que a política de casos zero já não serve a população como antes. A taxa de vacinação continua aquém das expetativas, não permite uma mudança de estratégia. É um progresso lento, apesar dos benefícios e do constante apelo das autoridades. E os serviços de saúde temem as consequências que a reabertura traz.

Leia também: Macau apela à vacinação da população para proteger crianças

Percebe-se, mas até que ponto é que estas medidas serão em prol do bem-estar da população? Porque certamente também há consequências nesse campo. O tempo muda, e a nossa visão sobre a pandemia também.

A variante Ómicron, que não foi a primeira e não será a última, dada a desigualdade de acesso a vacinas, tem feito a política de gradual reabertura retroceder. E o problema em Macau é sempre o mesmo – pondera-se muito na reabertura, e responde-se (demasiado) rápido no fecho das fronteiras.

Este fenómeno tem sido duro para todos, acredito que tanto a população como as autoridades locais e centrais querem o mesmo, embora a ritmos diferentes. Contudo, mesmo na manutenção da política de casos zero, as preocupações com a intolerância ao vírus amontoam-se, por ver uma cidade cada vez mais isolada e um futuro com menos possibilidades.

A verdade é que a falta de critérios concretos e rígidos tem significado que a adaptabilidade norteia as decisões. E, portanto, num abrir e fechar de olhos tudo muda. As previsões perdem a validade e entram em decadência – tornam-se palavras sem peso -, e a cautela e condicionamento individual parece ser a única estrela pela qual nos podemos guiar.

A imprevisibilidade, a rapidez de atuação e a transparência dos atos são áreas que ainda não foram totalmente acertadas. A melhor forma de responder às críticas é através de melhorias, para realmente trabalhar em benefício do povo.

*Diretor-Executivo do PLATAFORMA

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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