Dois anos a combater a pandemia em Macau - Plataforma Media

Dois anos a combater a pandemia em Macau

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RECENTEMENTE, O GOVERNO DE MACAU DECIDIU REFORÇAR AS NORMAS DE COMBATE À COVID-19, SUSPENDENDO DURANTE DUAS SEMANAS A ENTRADA DE VOOS COMERCIAIS (À EXCEÇÃO DO INTERIOR DA CHINA E DA REGIÃO DE TAIWAN) E EXIGINDO O “CÓDIGO DE LOCAL” A ESTABELECIMENTOS DE LAZER E RESTAURAÇÃO. AO PLATAFORMA, O VIROLOGISTA JACKY CHEONG APOIA A DECISÃO, SALIENTANDO QUE SOMENTE A VACINAÇÃO PERMITE A COEXISTÊNCIA COM O VÍRUS. NO ENTANTO, RESIDENTES PEDEM MELHORIAS NOS MECANISMOS DE PREVENÇÃO.

– Atualmente as medidas de combate à pandemia de Macau incluem o uso do “Código de Saúde de Macau” e do “Código de Local”, um programa de vacinação contra a Covid-19, restrições sobre a entrada de turistas, observação médica, isolamento das zonas amarelas e vermelhas – onde foram registados infetados -, e a “bolha de viagem para vacinados” que está a ser estudada.

O Executivo de Macau lançou em maio de 2020 o “Código de Saúde”. A aplicação pode apresentar três cores (vermelho, amarelo ou verde), consoante a situação sanitária do residente. O mesmo oferece aos responsáveis de vários tipos de estabelecimentos a possibilidade de permitir ou negar a entrada de residentes que apresentem código amarelo ou vermelho.

Qualquer residente que pretenda entrar em hotéis, centros de lazer, departamentos governamentais ou restaurantes, tem de apresentar o seu código de saúde.

A partir de amanhã, além de edifícios do Governo, todos os estabelecimentos de lazer e restauração terão de possuir um “Código de Local”. Em novembro de 2021, o Governo lançou esta aplicação móvel para auxiliar o “Código de Saúde”. A partir deste novo código, pode-se rastrear o movimento de cada cidadão, reduzindo o risco da cadeia de transmissão. Futuramente, esta medida poderá ter um caráter obrigatório.

O nosso jornal falou com Kuok, dono de um restaurante, que lamenta a duração da pandemia e revelou que a atual tendência de contração no consumo dos residentes faz com que “não tenha a certeza de quanto tempo irá aguentar”. Para este comerciante, a implementação do “Código de Local” irá afetar a confiança dos clientes nos estabelecimentos e aumentar a pressão sobre o número de pessoal dos mesmos. Por isso, sugere o uso do pagamento eletrónico como alternativa, para além de salientar que as medidas de prevenção se devem concentrar no reforço do controlo sobre entradas e saídas na fronteira.

Leia mais sobre o assunto: Hotéis e restaurantes em Macau podem vedar entrada a crianças

A preocupação de Kuok é confirmada por Wong, uma residente de Macau, que devido à nova diretiva, explica que se torna “inconveniente” a ida a restaurantes. A mesma pretende que as autoridades melhorem as campanhas de promoção dos códigos junto da população, para que se explique de forma clara o novo mecanismo e como atua na proteção de dados, bem como permitir que os restaurantes apliquem o “Place AntiScan Records” a partir do Código de Saúde.

VACINAR, VACINAR E VACINAR

Em fevereiro do ano passado, chegou a Macau o primeiro lote de vacinas contra a Covid-19, sendo o programa de vacinação implementado logo de seguida. Até às 16 horas de quinta-feira foram vacinadas, com pelo menos uma dose, um total de 498 185 pessoas, ou seja, 72,93% da população.

Entretanto, o Executivo já iniciou a vacinação da terceira dose, não sendo excluída a possibilidade de implementar uma “bolha de viagem para vacinados”, limitando a entrada em certos locais a cidadãos não vacinados ou sem prova de um teste de ácido nucleico negativo realizado nos últimos sete dias.

O médico Jacky Cheong acredita que a vacinação poderá ajudar a construir uma barreira imunitária, desacelerar a propagação do vírus na eventualidade de um surto e aliviar uma possível pressão nos serviços de saúde locais. O virologista na Escola de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Jiao Tong, em Xangai, salienta que apesar da vacina não prevenir por completo a infeção, poderá reduzir o risco da doença. O especialista acredita que a vacinação é algo essencial caso Macau queira adotar uma política de “coexistência com o vírus”.

“Com uma taxa alargada de vacinação, o nível de mortalidade do vírus irá descer, transformando-se em algo semelhante a uma gripe comum, dessa forma poderemos coexistir”, explica.

Leia também: Covid é oportunidade para Macau atrair outro tipo de turista

Quando questionado sobre a possibilidade de as autoridades locais explorarem um modelo de “bolha de viagem para vacinados”, tendo em consideração que a vacinação não garante que alguém teste negativo ao vírus, o médico afirma que “os testes de ácido nucleico diários seriam claramente o método mais seguro”, mas pergunta se existem os recursos necessários para o fazer, sublinhando que o Executivo já encontrou um bom equilíbrio.

Sobre a necessidade de vacinação contínua, assim como a possibilidade de esta levar a mutações do vírus e resistência ao mesmo, o virologista relembra que a vacinação contra outras doenças já requer mais do que duas ou três doses. Cheong refere ainda que as doses são criadas já considerando possíveis mutações, acrescentando que não se tem assistido a uma resistência à vacina e que a possibilidade de tal ocorrência é extremamente baixa. No entanto, sugere uma alteração do tipo de vírus administrado na vacina para se resolver o problema.

Leia também: Vacinas: Macau aguarda instruções da China sobre terceira dose

SEM REGRESSO À VISTA

A 5 de janeiro, as autoridades de saúde anunciaram a suspensão de voos comerciais vindos de territórios estrangeiros entre 9 e 23 de janeiro, podendo ser estendida mediante a situação pandémica. A norma foi criada com o objetivo de reduzir o número de casos importados em voos provenientes de locais de alto risco. De acordo com as autoridades, um grande número de doentes na cidade poderá sobrecarregar o sistema de saúde (incluindo centros de isolamento e observação médica), afetar gravemente a economia e a segurança dos residentes. O virologista concorda, enfatizando que os transportes são dos maiores meios de transmissão do vírus. Desta forma, considera que a suspensão de voos internacionais poderá ajudar a intercetar a entrada da pandemia no Território.

Lei, uma universitária a estudar em Portugal, sente que a medida foi demasiado repentina, tendo resultado numa grande despesa pessoal. O plano da estudante era regressar no fim deste mês a Macau, tendo já cessado o arrendamento do seu apartamento. Apesar de compreender que a medida serve para proteger os serviços de saúde locais, a estudante admite que deveria ter sido anunciada com maior antecedência, para prevenir danos monetários e psicológicos aos residentes.

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