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Do abraço à China ao embaraço conselheiro

O ministro português da Economia, Pedro Reis, teve o seu primeiro palco internacional na Conferência Ministerial do Fórum Macau, onde deixou três marcas divergentes: a mensagem, clara, de “aprofundamento” das relações com Macau e a China; o pedido, fora de tempo, para isenção de vistos na China; e um inesperado apoio à ATPFM; que nem se terá passado… mas também não foi desmentido

Paulo Rego

À margem da Conferência Ministerial, Pedro Reis foi recebido pelo Chefe do Executivo (CE), com quem trocou impressões sobre “cooperação bilateral nas áreas da economia e comércio, atração de empresas e quadros portugueses, e melhor aproveitamento de Macau como plataforma”, segundo nota do gabinete de Ho Iat Seng.

Diz a mesma missiva que o CE defendeu o “reforço do investimento em Macau” e a “expansão dos negócios na Zona de Cooperação Aprofundada, designadamente na indústria ‘big health’ [saúde]”. Já o ministro português quer “fortalecer as relações amistosas entre Portugal e a China e aumentar o potencial da cooperação económica e comercial”; tendo manifestado particular interesse no “desenvolvimento da indústria de finanças modernas de Macau” e comprometendo-se a “incentivar empresas portuguesas a expandir os seus negócios” para a Região.

Sendo este o discurso esperado de um governante português de visita, Pedro Reis é o primeiro novo governante a visitar a RAEM, tendo esclarecido dúvidas levantadas pelo tradicional europeísmo e o atlantismo da Aliança Democrática, num ciclo de pressões norte-americanas contra as relações com a China. O interesse pela China e o abraço de Pedro Reis à plataforma sino-lusófona tem significado político.

Vistos em atraso

Já na polémica dos vistos… depois de Portugal ter sido excluído das duas primeiras listas de países isentos de vistos para a China, Pedro Reis anunciou que “Portugal sinalizou essa matéria” à margem da Conferência Ministerial. “Gostaríamos muito de ser englobados”, disse à Lusa. Depois do embaixador português em Pequim, Paulo Jorge do Nascimento, ter confessado “não compreender” os critérios em causa; e de o embaixador chinês em Lisboa, Zhao Bentang, anunciar que Portugal seria, “provavelmente, incluído na próxima fase”; a expressão “gostaria de fazer parte” tem pouca força e surge fora de tempo, comentava-se nos bastidores da Conferência.

“Parabéns” à ATFPM

Após reunir com Ho Iat Seng, Pedro Reis recebeu três membros do Conselho das Comunidades Portuguesas do Círculo da China: Rita Santos, Rui Marcelo e Marília Coutinho. Segundo o comunicado depois divulgado pelos conselheiros, o ministro não só elogiou o “significado e a importância da comunidade portuguesa em Macau”, como terá também “enaltecido o importante trabalho realizado, desde o período da transição, até a presente data, pelos dirigentes da ATFPM [Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau], em prol da comunidade portuguesa residente em Macau e na China Continental, bem como das comunidades de portugueses residentes na Ásia”.

Este ponto causou surpresa – e até incómodo – em circuitos políticos locais. Por um lado, é um ministro português a tecer elogios a uma associação sindical, que até conflitua com o Governo, em defesa dos funcionários públicos; por outro; a ATFPM é também uma base política que elege deputados – no caso, Pereira Coutinho – pelo que o elogio também foge ao guião tradicional de um governante estrangeiro.

O PLATAFORMA contactou o gabinete do ministro para esclarecer os motivos desse apoio, não tendo obtido resposta. Contudo, foi possível perceber que o alegado elogio, explícito no comunicado dos conselheiros, pode não ter sido expresso, pelo menos de forma direta; tendo o ministro preferido evitar a polémica de um esclarecimento. Recorde-se que Rita Santos e Pereira Coutinho, são apoiantes da Aliança Democrática em Macau e destacados ativistas na última campanha eleitoral.

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