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Mecanismos de combate a submarinos

David ChanDavid Chan*

O comunicado da colisão do submarino nuclear americano no mar do Sul da China foi adiado cinco dias. A omissão de várias informações do incidente, como o objeto com qual o submarino colidiu, a eventualidade de um derrame nuclear, ou a sua localização, levou imediatamente à especulação por parte dos media. Apesar dos EUA acusarem outras nações de falta de transparência, desta vez foram os próprios a dar o exemplo perfeito de ocultação de informação. As forças militares americanas apenas mencionam que o acidente teve lugar no mar do Sul da China, porém, um satélite comercial detetou este submarino perto das Ilhas Paracel.

O submarino de ataque nuclear mais desenvolvido dos EUA, classe Seawolf, estava no mar do Sul da China, e o seu objetivo era claro, preparar-se para um eventual conflito com a China. O USS Connecticut é um submarino nuclear ofensivo que, na eventualidade de um confronto marítimo entre os EUA e a China, conseguirá atacar alvos chineses à superfície do mar, incluindo forças militares, mas também aquilo que consideram ser grandes alvos comerciais, como navios petroleiros. Podemos imaginar o prejuízo que causaria um ataque a um petroleiro de 300 mil toneladas.

A colisão do USS Connecticut é, por isso, um aviso para a China que, não só quer que os EUA respondam às questões levantadas pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros, como também precisa de implementar medidas de combate a submarinos no mar do Sul da China – urgente para garantir a sua segurança nacional.

Leia mais sobre o assunto em: Segurança no Mar da China Meridional

A classe Seawolf é uma das categorias de submarinos de ataque nuclear mais poderosas, capaz de transportar mais de 50 mísseis, aquáticos e terrestres, incluindo mísseis de cruzeiro e torpedos. As forças militares americanas gabam-se desta classe de submarinos ser capaz de combater uma frota marítima inteira. Contudo, o principal resultado deste exercício é o alerta que oferece à China para aumentar a sua supervisão regional, incluindo o território vizinho das Ilhas Paracel, e portodo o mar do Sul da China. O país precisa de implementar vários sensores hidroacústicos para conseguir detetar a presença de submarinos americanos.

Por essa mesma razão é que este ano foi organizado um exercício militar marítimo entre a China e a Rússia no Golfo de Pedro, o Grande, durante um dia inteiro. A frota chinesa incluiu pela primeira vez o destroyer Nanchang e um sonar a reboque, em coordenação com aeronaves de patrulha marítima. A organização de um exercício de combate a submarinos conjunto aproxima as forças chinesas de uma batalha real, para além de refletir o nível de confiança mútua que existe atualmente entre os dois exércitos, russo e chinês.

*Editor Senior

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