O Ébola não se espalha pelo ar nem por simples contacto casual, como acontece com vírus respiratórios (por exemplo, gripe ou COVID-19). A transmissão entre humanos ocorre quase exclusivamente através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais (saliva, vómito, fezes, urina, suor, leite materno, sémen) de pessoas infectadas ou de cadáveres de pessoas que morreram da doença.
O vírus entra no corpo através de pele lesionada ou membranas mucosas (olhos, nariz, boca). Também pode ser transmitido ao tocar objetos ou superfícies contaminadas com fluidos infectados — roupas, roupa de cama, agulhas ou equipamento médico — se não forem devidamente desinfetados.
Em raras situações, a transmissão pode ocorrer de animais para humanos — por exemplo, através do contacto com animal selvagem infectado, como morcegos frugívoros ou primatas, ou consumindo carne desses animais.
Importante salientar que pessoas infectadas só são contagiosas após começarem a manifestar sintomas. Durante o período de incubação — que pode ir de 2 a 21 dias, com média de 8 a 10 dias — o vírus não se transmite a outras pessoas.
Perigosidade da doença
O Ébola é considerado uma das doenças virais mais graves para os humanos. A taxa média de letalidade observada em surtos ronda os 50 %, embora tenha variado entre 25 % e 90 % em diferentes epidemias, dependendo da estirpe do vírus e da rapidez de diagnóstico e tratamento.
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Os primeiros sintomas são frequentemente inespecíficos, semelhantes aos de muitas outras infeções: febre alta, fadiga, dores musculares, dores de cabeça e garganta inflamada. À medida que a doença progride, surgem vómitos, diarreia, dores abdominais e sintomas de disfunção renal e hepática. Em casos mais graves, podem aparecer hemorragias internas e externas, com sangramento das gengivas, sangue nas fezes ou sob a pele.
Sem cuidados de suporte — como reidratação e tratamento dos sintomas — a doença pode rapidamente evoluir para choque, falência de órgãos vitais e morte.
O que pode acontecer num surto
Durante um surto activo, a monitorização rigorosa de contactos e o isolamento dos casos confirmados são essenciais para impedir a transmissão. As equipas de saúde pública implementam medidas de rastreio, vigilância intensiva, triagem laboratorial e práticas rigorosas de prevenção e controlo de infeções.
A persistência do vírus em alguns fluidos corporais, como o sémen de sobreviventes, pode prolongar o risco de transmissão mesmo após a recuperação clínica. Estudos documentaram casos em que o vírus permaneceu no sêmen por vários meses depois da pessoa recuperar.
Apesar da gravidade da doença, o Ébola não é tão facilmente transmissível quanto vírus respiratórios, e surtos tendem a limitar-se a regiões com contacto próximo, cuidados de saúde inadequados ou práticas culturais envolvidas em cuidarem de doentes ou prepararem corpos para funerais.
Existem vacinas aprovadas e terapêuticas em desenvolvimento para algumas estirpes de Ébola, mas nem todas as variantes virais têm tratamentos específicos completamente licenciados.