O Brasil intensificou as medidas de precaução devido à propagação do vírus mortal na RDC e no Uganda. O Ministério da Saúde indicou no domingo (31) que não havia confirmação de Ébola nos dois doentes.
No Rio de Janeiro, a Secretaria da Saúde estadual anunciou no sábado o isolamento de um homem que chegou ao Brasil vindo do Uganda a 22 de maio, “apresentando sintomas virais como tosse, arrepios e diarreia”.
O homem testou positivo para malária e os exames apresentaram “resultados negativos para Ébola”, afirmou o Ministério da Saúde no domingo. Mas as autoridades indicaram que o paciente “permanece em isolamento” enquanto a investigação é concluída.
Também no domingo, as autoridades de saúde do estado de São Paulo anunciaram que estão a investigar um caso suspeito de Ébola num homem que viajou recentemente para a RDC.
Leia também: Ébola faz 204 mortos na RDC e alarma África Central
Em comunicado, a Secretaria Regional de Saúde adiantou que o homem apresentou sintomas como febre e foi “colocado em isolamento” no Instituto Emílio Ribas de Doenças Infecciosas, em São Paulo.
O homem testou positivo para uma forma grave de meningite, mas “a investigação sobre o ébola continua até que os exames específicos estejam concluídos”, disse Regiane de Paula, da Coordenação Regional de Controlo de Doenças, segundo um comunicado divulgado no domingo.
As autoridades consideraram o risco de introdução da doença no Brasil como “muito baixo”, devido à ausência de transmissão local e à falta de voos diretos entre o país sul-americano e a região africana afetada pelo vírus.
No entanto, recomendaram que os serviços de saúde monitorizem as pessoas com febre e um historial recente de viagens à República Democrática do Congo, assim como os seus contactos próximos.
O atual surto na RDC é provocado pela estirpe Bundibugyo, que apresenta uma taxa de letalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado.
Na RDC foram registadas 246 mortes e mais de mil casos suspeitos, de acordo com um mais recente relatório do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças, a agência para a área da saúde da União Africana.
O ébola matou mais de 15 mil pessoas em África nos últimos 50 anos. O surto mais mortífero na República Democrática do Congo resultou em quase 2.300 mortes entre os 3.500 casos registados entre 2018 e 2020.
O vírus que causa o Ébola, uma febre hemorrágica altamente letal, já foi detetado em três províncias congolesas, bem como no vizinho Uganda, onde foram confirmados dois novos casos na sexta-feira, elevando o número total para nove.