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Dois aviões adquiridos pela LAM continuam parados na África do Sul. O que está a falhar na reestruturação

Duas das aeronaves compradas pela Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) no âmbito da reestruturação da companhia continuam sem operar, vários meses após a aquisição. A situação prolonga a dependência de aviões alugados, enquanto o processo de recapitalização e reorganização ainda enfrenta custos e atrasos

Lusa

Duas das quatro aeronaves adquiridas pelas Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) no processo de reestruturação da companhia estatal estão paradas há vários meses na África do Sul, em intervenção, confirmou hoje (29) a administração.

Em causa estão dois Embraer 190 adquiridos em 2025 pela LAM, mas que a administração da companhia, intervencionada no ano passado com a entrada no capital de três empresas públicas, promete colocar ao serviço “nos próximos dias”.

“Não estão a operar porque nós informamos que os aviões iriam ser pintados, e a pintura que estamos a fazer é para uma nova imagem da LAM. E nova imagem da LAM, para nós, não significa apenas pintura dos aviões, significa também mudar uma série de procedimentos dentro da LAM”, disse Agostinho Langa, presidente do conselho de administração dos Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), uma das três empresas que gerem a companhia.

“A pintura já está concluída”, garantiu Langa, assumindo que decorrem preparativos para a entrada em operação das duas aeronaves, mas reconhecendo “custos adicionais” para a LAM, por ter de continuar a “operar com aviões alugados”. A LAM está atualmente a operar com seis aviões, sendo quatro alugados, que se vão manter na frota, e dois próprios, segundo Agostinho Langa.

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A Lusa noticiou na quinta-feira que pelo menos 80 trabalhadores deixaram a LAM em 2025, no âmbito do processo de reestruturação da companhia estatal, segundo informação do Governo na Conta Geral do Estado (CGE).

Recentemente aprovada pelo Governo e que seguiu para apreciação no Parlamento, durante o ano de 2025, no âmbito do plano de reestruturação, foi assegurada a aquisição de quatro aeronaves, no caso, dois Bombardier Q400 e dois Embraer 190, e “registadas as ações da LAM na Central de Valores Mobiliários”, de acordo com a CGE.

Para “melhorar o balanço da empresa, prosseguem formalidades legais para o saneamento das dívidas garantidas pelo Estado junto à banca comercial” – BCI e Moza Banco -, refere-se ainda no documento.

Foram já “regularizadas as dívidas” da transportadora aérea junto das empresas estatais Aeroportos de Moçambique e Petróleos de Moçambique, “através de encontro de contas e cancelamento contabilístico”, acrescenta a CGE. Entretanto, a Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) aprovou a aquisição de 25.2% do capital social da estatal Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), no âmbito do processo de reestruturação, seguida da Emose e CFM, cada com 15.4%.

Ainda segundo a CGE de 2025, a HCB, empresa pública, aprovou o investimento de 36 milhões de dólares (30,8 milhões de euros) nesse processo e a criação da Fly Moz, entidade que tem o “objetivo de garantir financiamentos a LAM”, também estatal.

Neste processo de reestruturação da LAM, aprovado em 2025 pelo Governo moçambicano, outras duas empresas públicas investiram e entraram no capital social da companhia aérea de bandeira, “estando o valor a ser aplicado para a aquisição de aeronaves, saneamento da força de trabalho e pagamento de fornecedores” e “registando-se melhorias na estabilidade da operação”, conclui a CGE.

A seguradora Emose aprovou o investimento de 22 milhões de dólares (18,8 milhões de euros), “passando a ser detentora de 15,40% da estrutura acionista da LAM”, tal como a empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique, conforme refere a Conta Geral do Estado.

Há um ano foi anunciada a intenção de alienar 91% do capital social da LAM, mas estas três operações totalizam ainda apenas 56%.

O ministro dos Transportes moçambicano disse em novembro último que três empresas públicas vão injetar 130 milhões de dólares (110,4 milhões de euros) para recapitalizar a LAM e que 80 trabalhadores estão de saída no âmbito da reestruturarão da companhia aérea estatal.

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