O Presidente do Panamá, José Raúl Mulino, manifestou na quinta-feira (28) confiança de que conseguirá renovar um acordo marítimo com a China, contornando as tensões alimentadas pelos esforços do Presidente norte-americano, Donald Trump, para controlar o Canal do Panamá.
Após o estabelecimento de relações diplomáticas em 2017, Panamá e China formalizaram um acordo marítimo que oferece tarifas portuárias preferenciais e regras burocráticas simplificadas para navios sob bandeira panamiana em portos chineses. O acordo termina este ano.
O Panamá procura renovar o acordo apesar de se queixar de que as suas embarcações enfrentam agora controlos mais apertados na China, após o cancelamento da concessão de uma empresa de Hong Kong para operar dois portos no Canal do Panamá.
Na terça-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da China e do Panamá, Wang Yi e Javier Martínez-Acha, reuniram-se em Nova Iorque para tentar resolver a situação. A reunião foi “sem dúvida” um “passo transcendental”, afirmou Mulino durante uma conferência de imprensa.
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O Presidente disse continuar confiante de que as negociações terão um desfecho positivo, manifestando esperança num “diálogo respeitoso”.
Martínez-Acha afirmou, na mesma conferência de imprensa, que o seu homólogo chinês indicou existirem fortes possibilidades de os dois países alcançarem “uma negociação benéfica para ambas as partes através do respeito mútuo”.
A China intensificou os controlos sobre embarcações panamianas após uma decisão judicial no país centro-americano que anulou o contrato da Panama Ports Company – subsidiária da empresa de Hong Kong Hutchinson – responsável pela operação de dois terminais no canal.
Trump tem procurado afirmar controlo sobre a estratégica via interoceânica sob o argumento de que esta era administrada pela China, embora o canal seja supervisionado por uma instituição panamiana autónoma em relação ao Governo.