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Daniel Jackson, o jovem de 21 anos que quer criar um novo Estado europeu

Aos 21 anos, Daniel Jackson é o mais jovem líder político da Europa contemporânea. Criador da República Livre de Verdis, ele transformou um sonho de adolescente em um projeto de Estado neutro, humanitário e digital, situado entre a Croácia e a Sérvia. Em entrevista ao PLATAFORMA, Jackson contou como nasceu a ideia, os desafios enfrentados e a visão que o motiva

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Daniel Jackson: o rosto de Verdis

Quando fala de Verdis, Daniel Jackson não se apresenta como um ativista ou um empreendedor digital. Apresenta-se simplesmente como o presidente de um país.

Nascido na Austrália em 2004, Jackson cresceu numa família de origem europeia e passou parte da sua juventude entre a Austrália e o Reino Unido. Segundo contou ao PLATAFORMA, a ideia de criar uma nova nação surgiu quando tinha apenas 14 ou 15 anos.

Na altura, acompanhava o desenvolvimento de outras micronações europeias, especialmente a autoproclamada República de Liberland, fundada em 2015 numa área disputada entre a Croácia e a Sérvia. No entanto, sentia que podia seguir um caminho diferente.

“Eu tinha alguma inspiração na Liberland, mas não concordava totalmente com a forma como queriam construir o Estado”, explica ao PLATAFORMA. “Queria fazer algo um pouco diferente.”

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A ideia permaneceu apenas como um projeto pessoal durante vários anos. Só em 2023, após contactar pessoas com quem realizava trabalho humanitário, decidiu avançar. “Trouxe novamente a ideia de Verdis e pensámos: vamos tornar isto realidade.”

O percurso não foi convencional. Jackson abandonou os estudos aos 17 anos, mudou-se para a Europa e trabalhou em diferentes empregos enquanto procurava concretizar o projeto. “Cheguei a trabalhar nos ferries entre Inglaterra e França”, conta. “Mas Verdis esteve sempre no fundo da minha mente.”

Apesar da crescente notoriedade internacional, rejeita a imagem de político profissional. “Continuo a jogar videojogos, a sair com amigos e a ir a bares”, disse ao PLATAFORMA. “As pessoas pensam que quem lidera estas entidades é um pouco robótico, mas continuamos a ser pessoas normais.”

Essa normalidade tornou-se mais difícil à medida que Verdis ganhou atenção mediática: “Sou reconhecido bastantes vezes na Sérvia e no Reino Unido. É algo que adoro, porque mostra apoio, mas às vezes também gosto da minha privacidade.”

O que é Verdis?

O terreno que viria a tornar-se a República Livre de Verdis foi proclamado oficialmente em maio de 2019, segundo o portal official. O projeto reivindica uma área de aproximadamente 0,5 quilómetros quadrados na margem do Danúbio, entre a Croácia e a Sérvia. Trata-se de uma das poucas parcelas de território europeu que permaneceram sem reivindicação clara devido a uma disputa fronteiriça entre os dois países, segundo o governo de Verdis.

O conflito remonta à dissolução da Jugoslávia. A Croácia e a Sérvia utilizam interpretações diferentes para definir a fronteira ao longo do Danúbio. Enquanto Belgrado defende que a linha fronteiriça deve seguir o curso atual do rio, Zagreb baseia-se em antigos registos cadastrais.

Essa diferença criou várias pequenas bolsas territoriais cuja situação jurídica permanece complexa. Foi numa dessas áreas, conhecida informalmente como Pocket 3, que surgiu Verdis.

Um mapa das terras disputadas ao longo do rio Danúbio. (Gráfico: Renée Rigdon / CNN)

Em entrevista ao PLATAFORMA, Jackson explicou que a localização foi escolhida por razões práticas. “Era a maior parcela de terra disponível depois de Gornja Siga”, afirma. “Também fica muito perto de Apatin e Aljmaš, o que a tornava relativamente acessível.”

Apesar da reivindicação, nenhum Estado reconhece oficialmente Verdis como país soberano. Organizações internacionais e especialistas classificam-no como uma micronação, uma entidade que reivindica soberania sem reconhecimento diplomático formal.

Ainda assim, o projeto desenvolveu estruturas típicas de um Estado: governo, ministérios, programas de cidadania, passaportes, escritórios de representação e plataformas administrativas digitais, segundo o governo de Verdis.

Um Estado construído sobre a neutralidade

Ao contrário de outras micronações, que frequentemente se apresentam como experiências libertárias ou satíricas, Verdis procura afirmar uma missão política específica.

Segundo Jackson, a neutralidade está no centro da identidade nacional: “Queremos servir como mediadores em futuras disputas ou conflitos”, afirma ao PLATAFORMA. “Somos um país baseado na neutralidade.”

A bandeira secundária do Estado de Verdis com o brasão. O xadrez representa a cultura croata, o isqueiro representa a cultura sérvia, as linhas onduladas representam o rio Danúbio, a ave representa a cegonha-branca, a ave nacional de Verdis, e as árvores representam a força e a paz. (Gráfico: verdisgov.org)

A localização geográfica reforça essa narrativa. Verdis situa-se precisamente entre dois países cuja relação continua marcada pelo legado das guerras dos Balcãs.

“Estamos entre dois Estados com visões muito diferentes um do outro”, explica. “A neutralidade não é apenas a nossa ideologia; também é importante para a nossa posição geográfica.”

O governo de Verdis descreve ainda o país como uma iniciativa humanitária, multicultural e aberta à cooperação internacional. “Queremos ajudar a tornar o mundo melhor, mesmo a partir de um pequeno pedaço de terra”, resumiu Jackson.

O confronto com a Croácia

A maior dificuldade enfrentada por Verdis tem sido o acesso ao território que reivindica. Em outubro de 2023, uma tentativa de estabelecer uma povoação permanente terminou com a intervenção das autoridades croatas. Os participantes foram removidos da área e o assentamento acabou por ser desmantelado.

Jackson considera que a ação foi ilegal. “A Croácia não considera esta terra parte do seu território, mas queremos manter boas relações com o país”, afirma ao PLATAFORMA.

Apesar disso, diz que o projeto não recuou: “Tivemos momentos muito difíceis, especialmente quando o assentamento foi destruído (…) mas nunca pensámos desistir.”

O período de exílio permitiu fortalecer a estrutura institucional do projeto, segundo o presidente. “Se o bloqueio fosse levantado amanhã, estaríamos preparados.”

Atualmente, Verdis mantém escritórios de representação na Sérvia e no Reino Unido, que funcionam como pontos de contacto diplomático e administrativo, segundo o governo.

Uma cidadania sem fronteiras

Sem controlo efetivo do território, Verdis apostou fortemente na construção de uma comunidade digital internacional. Um dos principais instrumentos é o programa de e-residência.

Através do sistema, participantes podem colaborar remotamente com projetos da micronação e iniciar processos que, eventualmente, poderão conduzir à cidadania.

Apesar de não ser reconhecida oficialmente, a Verdis oferece passaportes e programas de cidadania. (Fotos: redes sociais)

“Queremos garantir que as pessoas tenham uma oportunidade, independentemente de onde vivem”, explica Jackson ao PLATAFORMA.

O governo disponibiliza também programas de investimento e diferentes vias de naturalização. “Conseguir envolver empreendedores e pessoas talentosas contribui significativamente para o desenvolvimento do nosso país (…) desde que se identifiquem com os valores do nosso país e dos países vizinhos.”

O futuro de uma micronação

Sete anos após a proclamação de independência, Verdis continua longe de alcançar reconhecimento internacional. No entanto, o projeto permanece ativo e continua a atrair atenção mediática, apoiantes e curiosos.

Jackson admite que a construção de infraestruturas continua a ser a prioridade principal. Existem planos para habitação, serviços públicos e estruturas administrativas permanentes caso o acesso ao território seja restabelecido. “Temos um longo caminho pela frente”, reconhece ao PLATAFORMA. “Mas estamos nisto para o longo prazo.”

O reconhecimento internacional continua a ser um objetivo distante, e a viabilidade de Verdis como Estado soberano permanece uma questão em aberto. Ainda assim, Daniel Jackson insiste que o projeto tem valor independentemente do desfecho.

“O mundo é aborrecido sem coisas loucas como esta acontecerem”, disse ao PLATAFORMA. “Não há problema em algumas pessoas tentarem tornar o mundo um pouco melhor, seja criando um novo Estado ou uma ONG.”

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