Num comunicado do Ministério da Saúde, foi indicado que 204 mortes foram registadas em três províncias do vasto país da África Central, a partir de 867 casos suspeitos. O último balanço da Organização Mundial da Saúde, divulgado na sexta-feira, apontava para 177 mortes entre 750 casos suspeitos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou este surto da febre hemorrágica altamente contagiosa como uma emergência internacional. No sábado, a agência de saúde da União Africana alertou que mais países do continente estão em risco de serem afetados pelo vírus Ébola, além da República Democrática do Congo e do Uganda.
“Temos 10 países em risco”, afirmou Jean Kaseya, diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC em inglês), enumerando Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Etiópia, Quénia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. Kaseya explicou que a “elevada mobilidade e a insegurança” na região estão a ajudar à propagação da doença.
Os novos casos confirmados no Uganda no sábado elevam para cinco o total de infeções confirmadas naquele país da África Oriental desde a deteção do vírus no Uganda e na RDC, a 15 de maio. Uma pessoa morreu no Uganda. O Ministério da Saúde identificou os novos pacientes como um motorista ugandês, um profissional de saúde ugandês e uma mulher da RDC. Todos estão vivos.
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O Ébola é uma doença viral mortal que se transmite através do contacto direto com fluidos corporais. Pode provocar hemorragias graves e falência de órgãos. A atual epidemia tem epicentro no leste da RDC, uma região devastada por conflitos, tendo sido detetada inicialmente na província de Ituri, na fronteira com o Uganda, antes de se espalhar para o Kivu do Sul.
A Cruz Vermelha anunciou no sábado que três voluntários congoleses morreram em Ituri, após terem aparentemente contraído Ébola nessa província. Os três “estavam a realizar atividades de gestão de corpos em 27 de março, no âmbito de uma missão humanitária não relacionada com o Ébola”, disse a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).
“No momento da intervenção, a comunidade não tinha conhecimento do surto de doença por vírus Ébola… Estão entre as primeiras vítimas conhecidas.”
O Ébola matou mais de 15 mil pessoas em África ao longo do último meio século. Na sexta-feira, a OMS elevou para o nível máximo o risco do surto na RDC – “muito elevado”. A organização disse que o risco na África Central é “elevado”, mas que o risco global continua “baixo”.
O surto, que os especialistas suspeitam ter estado em circulação durante algum tempo sem ser detetado, é causado pela estirpe menos comum Bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
Na quinta-feira, o Uganda suspendeu o transporte público para a RDC depois de confirmar os seus dois primeiros casos – uma infeção e uma morte – envolvendo cidadãos congoleses que atravessaram a fronteira. As autoridades disseram que o motorista, confirmado como infetado no sábado, conduzia o veículo em que viajou para o Uganda um dos cidadãos congoleses doentes. Um profissional de saúde foi exposto ao vírus quando tratava esse paciente congolês.
O terceiro caso foi o de uma mulher congolesa que tinha visitado o Uganda e testou positivo para Ébola após regressar à RDC.
O leste da RDC tem sido assolado há três décadas por conflitos envolvendo vários grupos armados. Os serviços do Estado nas zonas rurais de Ituri têm estado praticamente ausentes durante décadas. O Kivu do Sul é controlado pelo grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, que nunca teve de gerir uma epidemia como a do Ébola.
“Este é um problema de todos”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, numa conferência de imprensa em Adis Abeba, ao lado de Kaseya.
O responsável disse que o Governo de Kinshasa precisava de ter “controlo total” sobre o território da RDC para travar a propagação do vírus.