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Ébola faz 204 mortos na RDC e alarma África Central

As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) atualizaram no sábado (23) à noite o balanço de mortos do surto de Ébola para 204, poucas horas depois de a Cruz Vermelha ter informado a morte de três voluntários e o Uganda ter confirmado três novos casos da doença

AFP

Num comunicado do Ministério da Saúde, foi indicado que 204 mortes foram registadas em três províncias do vasto país da África Central, a partir de 867 casos suspeitos. O último balanço da Organização Mundial da Saúde, divulgado na sexta-feira, apontava para 177 mortes entre 750 casos suspeitos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou este surto da febre hemorrágica altamente contagiosa como uma emergência internacional. No sábado, a agência de saúde da União Africana alertou que mais países do continente estão em risco de serem afetados pelo vírus Ébola, além da República Democrática do Congo e do Uganda.

“Temos 10 países em risco”, afirmou Jean Kaseya, diretor dos Centros Africanos de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC em inglês), enumerando Angola, Burundi, República Centro-Africana, República do Congo, Etiópia, Quénia, Ruanda, Sudão do Sul, Tanzânia e Zâmbia. Kaseya explicou que a “elevada mobilidade e a insegurança” na região estão a ajudar à propagação da doença.

Os novos casos confirmados no Uganda no sábado elevam para cinco o total de infeções confirmadas naquele país da África Oriental desde a deteção do vírus no Uganda e na RDC, a 15 de maio. Uma pessoa morreu no Uganda. O Ministério da Saúde identificou os novos pacientes como um motorista ugandês, um profissional de saúde ugandês e uma mulher da RDC. Todos estão vivos.

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O Ébola é uma doença viral mortal que se transmite através do contacto direto com fluidos corporais. Pode provocar hemorragias graves e falência de órgãos. A atual epidemia tem epicentro no leste da RDC, uma região devastada por conflitos, tendo sido detetada inicialmente na província de Ituri, na fronteira com o Uganda, antes de se espalhar para o Kivu do Sul.

A Cruz Vermelha anunciou no sábado que três voluntários congoleses morreram em Ituri, após terem aparentemente contraído Ébola nessa província. Os três “estavam a realizar atividades de gestão de corpos em 27 de março, no âmbito de uma missão humanitária não relacionada com o Ébola”, disse a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

“No momento da intervenção, a comunidade não tinha conhecimento do surto de doença por vírus Ébola… Estão entre as primeiras vítimas conhecidas.”

O Ébola matou mais de 15 mil pessoas em África ao longo do último meio século. Na sexta-feira, a OMS elevou para o nível máximo o risco do surto na RDC – “muito elevado”. A organização disse que o risco na África Central é “elevado”, mas que o risco global continua “baixo”.

O surto, que os especialistas suspeitam ter estado em circulação durante algum tempo sem ser detetado, é causado pela estirpe menos comum Bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

Na quinta-feira, o Uganda suspendeu o transporte público para a RDC depois de confirmar os seus dois primeiros casos – uma infeção e uma morte – envolvendo cidadãos congoleses que atravessaram a fronteira. As autoridades disseram que o motorista, confirmado como infetado no sábado, conduzia o veículo em que viajou para o Uganda um dos cidadãos congoleses doentes. Um profissional de saúde foi exposto ao vírus quando tratava esse paciente congolês.

O terceiro caso foi o de uma mulher congolesa que tinha visitado o Uganda e testou positivo para Ébola após regressar à RDC.

O leste da RDC tem sido assolado há três décadas por conflitos envolvendo vários grupos armados. Os serviços do Estado nas zonas rurais de Ituri têm estado praticamente ausentes durante décadas. O Kivu do Sul é controlado pelo grupo armado M23, apoiado pelo Ruanda, que nunca teve de gerir uma epidemia como a do Ébola.

“Este é um problema de todos”, afirmou o ministro da Saúde congolês, Samuel Roger Kamba, numa conferência de imprensa em Adis Abeba, ao lado de Kaseya.

O responsável disse que o Governo de Kinshasa precisava de ter “controlo total” sobre o território da RDC para travar a propagação do vírus.

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