A pergunta mantém-se: onde estarão os fugitivos portugueses procurados internacionalmente? A resposta oficial é desconhecida — os seus paradeiros não estão identificados — mas os países que emitiram os alertas da Interpol dão pistas sobre os locais onde os crimes terão ocorrido e onde as autoridades procuram localizar os suspeitos.
Entre os nove nomes atualmente associados a alertas vermelhos estão cidadãos procurados por Estados Unidos, Rússia, França, Espanha, Argentina e Angola, numa lista que revela uma forte componente internacional.
Estados Unidos procuram dois portugueses
Os Estados Unidos são um dos países com maior presença nesta lista. É o caso de Daniel Costa, cidadão luso-americano procurado por homicídio e tentativa de roubo, e de Carlos Bolieiro, natural dos Açores, procurado por crimes de natureza sexual. Ambos estão há vários anos em fuga e continuam entre os nomes mais antigos associados aos alertas internacionais.
Rússia, Argentina e França também procuram portugueses
A Rússia surge associada a dois cidadãos luso-russos: Arkadi Bunin e Vitaly Gudkov. Os processos divulgados pela Interpol indicam acusações relacionadas com crimes financeiros e outros delitos, embora nem todos os detalhes estejam disponíveis publicamente.
A Argentina procura João Paulo Ferreira Marques e Serafim Pereira Almeida da Cruz, ambos associados a investigações por tráfico de droga. Já França procura Alexandre Valente Fernandes, relacionado com crimes de roubo com violência e sequestro.
Leia mais: Homicídios, tráfico de droga e crimes sexuais: os nove portugueses procurados pela Interpol
Espanha e Angola completam o mapa
Na lista está ainda Alberto Severo de Sousa Madureira, procurado por Espanha por suspeita de homicídio, e João de Deus Oliveira Gomes dos Santos, procurado por Angola por um caso de homicídio.
O retrato destes casos mostra que os fugitivos portugueses não estão concentrados num único destino: os processos atravessam América do Norte, Europa, América do Sul e África, refletindo a capacidade de mobilidade de quem tenta escapar à justiça.
Como funciona a perseguição internacional?
A chamada Red Notice da Interpol não é um mandado de captura internacional. Trata-se de um alerta enviado às polícias dos países membros para localizar uma pessoa procurada e permitir uma eventual detenção provisória enquanto decorrem procedimentos legais, como um pedido de extradição.
A Polícia Judiciária, através do Gabinete Nacional da Interpol em Lisboa, participa nesta cooperação internacional e no intercâmbio de informação criminal com outros países.
Apesar dos alertas ativos, o paradeiro dos nove portugueses continua por confirmar. A cada caso junta-se a mesma incógnita: terão fugido para outro país, estarão escondidos com identidades falsas ou simplesmente conseguiram desaparecer das autoridades durante anos?