Numa conferência de imprensa dedicada às polémicas que envolvem o seu nome, Luís Neves começou por abordar o caso do atrelado encontrado junto às instalações da empresa Construbarcelos, em Barcelos, que tinha realizado obras numa propriedade sua em Odemira.
Luís Neves reconheceu que autorizou a decisão de retirar o atrelado do local onde se encontrava inicialmente, mas assumiu a responsabilidade pelo procedimento. “É uma decisão minha e não dele”, afirmou, referindo-se ao responsável envolvido na operação.
O ministro explicou que a opção surgiu perante dificuldades relacionadas com a gestão do material apreendido e defendeu que a decisão representou uma poupança para o Estado. Segundo Neves, a destruição dos produtos apreendidos teria um custo elevado.
“Pediam 150 mil euros para destruir este material. Não tínhamos cabimentação e sabíamos que precisávamos de tempo para baixar o preço”, afirmou, acrescentando que a alternativa encontrada permitiu evitar custos de armazenamento. “Foi um ato de boa e extraordinária gestão”, defendeu.
Investigação continua nas mãos do Ministério Público
O caso do atrelado está a ser investigado pelas autoridades depois de a Polícia Judiciária ter aberto um inquérito para apurar as circunstâncias da movimentação de uma galera apreendida num processo relacionado com tráfico de droga.
A PJ confirmou anteriormente que o atrelado, que continha produtos apreendidos, foi encontrado em Barcelos, ligado a um camião da empresa Construbarcelos. A investigação pretende esclarecer se houve alguma irregularidade no procedimento.
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Luís Neves garantiu que irá colaborar com as autoridades e afirmou que não teme o resultado da investigação. “Esta matéria está a ser investigada no âmbito de um inquérito criminal. Irei colaborar como sempre”, afirmou.
Ministro rejeita ligações entre o caso e a empresa que fez obras na sua casa
A polémica aumentou depois de ter sido revelado que a empresa responsável pelas obras numa propriedade de Luís Neves em Odemira tinha anteriormente realizado trabalhos para a Polícia Judiciária.
O ministro rejeitou qualquer relação entre os dois assuntos e afirmou que contratou a empresa a preços de mercado. “Adquiri tudo a preços de mercado. Nenhum a preço de saldo”, declarou, garantindo que os seus rendimentos provêm exclusivamente do seu trabalho e do da sua mulher.
Sobre as obras, disse ainda que foram realizadas numa única propriedade e que decorreram durante poucos fins de semana, com participação sua e do filho.
A conferência de imprensa surge depois de várias semanas de polémica em torno do ministro, que tem sido pressionado a esclarecer as circunstâncias relacionadas com o atrelado e com as obras realizadas na propriedade em Odemira.