O nome de João Carvalho surge no centro da investigação que envolve um atrelado apreendido pela Polícia Judiciária (PJ) num processo relacionado com tráfico de droga e que acabou por ficar à guarda de um empreiteiro com ligação pessoal ao ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Segundo as informações já divulgadas, João Carvalho é um empresário ligado ao setor da construção civil e terá uma relação de proximidade com Luís Neves, antigo diretor nacional da PJ e atual responsável pela pasta da Administração Interna. Foi essa ligação que colocou o caso sob escrutínio, depois de o atrelado ter sido retirado do local onde estava armazenado pelas autoridades e entregue ao empreiteiro.
O veículo em causa — uma “galera” que necessita de ser acoplada a um camião para circular — tinha sido apreendido num processo de tráfico de droga. No seu interior encontravam-se milhares de litros de acetona, uma substância que pode ser utilizada na produção de estupefacientes.
Inicialmente, o atrelado estava guardado num espaço utilizado pela Autoridade Marítima, onde a PJ mantém alguns bens apreendidos, nomeadamente embarcações e outros equipamentos. A deslocação do veículo terá ocorrido sem que, segundo a atual direção da PJ, existisse conhecimento prévio da instituição sobre a operação.
A Polícia Judiciária abriu uma averiguação interna depois de ter tido conhecimento da movimentação do atrelado e os primeiros elementos recolhidos levaram os investigadores a comunicar ao Ministério Público suspeitas da eventual prática dos crimes de abuso de poder e descaminho.
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O procurador-geral da República, Amadeu Guerra, determinou a abertura de um inquérito, que deverá ser conduzido por um procurador-geral adjunto do Tribunal da Relação de Lisboa, devido ao envolvimento de um membro do Governo em funções.
Relação com Luís Neves sob escrutínio
A ligação entre João Carvalho e Luís Neves é um dos pontos centrais da investigação. A questão que está a ser analisada pelas autoridades é se a entrega do bem apreendido respeitou todos os procedimentos legais aplicáveis ou se terá existido uma intervenção indevida na gestão de um objeto que estava à guarda do Estado.
Luís Neves tem defendido que o processo estava “todo documentado” e que a movimentação do atrelado era conhecida pelas entidades competentes. Contudo, a PJ afirmou publicamente que apenas teve conhecimento da deslocação a 14 de julho, tendo nessa sequência decidido instaurar um inquérito para apurar eventuais irregularidades.
Até ao momento, o ministro ainda não foi ouvido no âmbito do processo, e a investigação terá agora de determinar se houve apenas uma falha administrativa ou se existiram responsabilidades criminais.