Início » Caso do atrelado: quem assume agora o inquérito e o que muda na investigação

Caso do atrelado: quem assume agora o inquérito e o que muda na investigação

A decisão do Ministério Público de manter a Polícia Judiciária (PJ) afastada da investigação ao caso do atrelado encontrado nas instalações da Construbarcelos representa uma mudança relevante na condução do processo. Em vez de delegar as diligências na polícia de investigação criminal, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu que, nesta fase, o inquérito será conduzido diretamente pelos magistrados do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Ao contrário do que acontece na maioria dos processos criminais de maior dimensão, o Ministério Público optou por não delegar a investigação na PJ no caso do atrelado.

Em resposta à Lusa, a PGR esclareceu que o inquérito relativo aos bens apreendidos na Operação Pacoba “encontra-se a cargo do Ministério Público deste departamento e não será, por ora, delegado em qualquer órgão de polícia criminal”.

Na prática, isso significa que são os procuradores do DIAP de Lisboa quem passa a dirigir diretamente as diligências, decidindo quais as provas a recolher, quem deve ser ouvido e que entidades poderão colaborar em cada fase do processo.

A PJ deixa de conduzir as diligências

A Polícia Judiciária continua a poder colaborar caso o Ministério Público solicite apoio técnico específico, mas deixa de assumir o papel de principal entidade investigadora.

Habitualmente, a PJ realiza diligências como buscas, inquirições, apreensões de documentos ou perícias por delegação do Ministério Público. Neste caso, essa delegação foi, para já, afastada, cabendo aos magistrados decidir se recorrem a outros órgãos de polícia criminal ou se mantêm a investigação exclusivamente sob a sua direção.

O que vai investigar o DIAP?

O objetivo do inquérito é esclarecer como um atrelado apreendido no âmbito da Operação Pacoba acabou estacionado nas instalações da Construbarcelos, empresa que realizou obras numa propriedade do ministro da Administração Interna, Luís Neves, e que também celebrou contratos com a Polícia Judiciária durante o período em que o governante era diretor nacional da instituição.

Leia mais: PJ afastada da investigação ao caso do atrelado ligado a Luís Neves. Porque mudou a condução do inquérito

A investigação deverá procurar responder a várias questões, entre elas:

  • quem autorizou a movimentação do atrelado;
  • com que fundamento foi entregue ou deslocado para a empresa;
  • se foram cumpridos todos os procedimentos legais relativos à guarda de bens apreendidos;
  • e se existem indícios da prática de crimes, como abuso de poder, descaminho ou outros ilícitos eventualmente apurados durante o inquérito.

Porque optou o Ministério Público por esta solução?

A PGR não explicou as razões concretas da decisão, limitando-se a confirmar que o processo ficará, para já, sob direção direta do DIAP de Lisboa.

No entanto, a opção evita que a investigação seja conduzida pela própria Polícia Judiciária, instituição que surge ligada ao contexto do caso, uma vez que a Construbarcelos celebrou contratos com a PJ durante a liderança de Luís Neves e o próprio atrelado estava inicialmente à guarda daquela polícia.

O que acontece a seguir?

Nesta fase, o inquérito continua em investigação e não foram anunciadas constituições de arguidos relacionadas com este processo. Os magistrados do DIAP irão agora recolher documentação, ouvir testemunhas e analisar os procedimentos adotados relativamente ao atrelado apreendido.

Só depois dessa fase será possível determinar se existem elementos suficientes para avançar com acusações ou se o processo será arquivado. Até lá, a investigação permanece exclusivamente nas mãos do Ministério Público, sem direção operacional da Polícia Judiciária.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website