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PJ revela contratos com empresa de amigo do ministro Luís Neves e admite derrapagens de 345 mil euros em obras

A Polícia Judiciária revelou os contratos celebrados entre 2019 e 2025 com a Construbarcelos, empresa do empreiteiro João Carvalho, identificado como amigo do ministro da Administração Interna, Luís Neves. Os 17 contratos analisados representam um valor global de cerca de 2,23 milhões de euros, sendo que apenas três foram realizados através de procedimentos concorrenciais.

A divulgação dos dados surge numa altura em que Luís Neves está envolvido numa polémica relacionada com obras particulares e com o caso do atrelado apreendido pela PJ, tendo o ministro garantido que está a reunir documentação para responder “ponto por ponto” às questões levantadas.

Segundo a Polícia Judiciária, os três contratos de maior dimensão registaram trabalhos complementares no valor aproximado de 345 mil euros, o que representa um aumento de cerca de 28% face ao valor inicialmente adjudicado.

A PJ explica que estes acréscimos correspondem a trabalhos que não estavam previstos nos contratos iniciais, mas que foram enquadrados legalmente ao abrigo do Código dos Contratos Públicos. A instituição rejeita ainda qualquer prática de fracionamento de despesa e esclarece que a maioria das adjudicações seguiu o regime de contratação excluída, justificado por razões de segurança associadas às suas instalações.

Obras na Guarda, Évora e Porto

Entre os 17 contratos identificados, dez dizem respeito a intervenções nas instalações da Polícia Judiciária da Guarda, num valor superior a 1,24 milhões de euros.

Leia mais: PJ deteta indícios de crimes no caso do atrelado apreendido. O que está em causa para o ministro Luís Neves

Outros seis contratos foram destinados a obras na Unidade Local de Investigação Criminal de Évora, representando cerca de 891 mil euros.

O único contrato relativo às instalações da PJ no Porto teve um valor aproximado de 98 mil euros e destinou-se a trabalhos de reparação e reorganização de espaços para a unidade de perícias informáticas.

A maioria das adjudicações foi feita através do regime de contratação excluída, uma modalidade prevista na lei que permite a contratação direta quando estão em causa necessidades específicas de segurança.

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