O Governo definiu que a nova infraestrutura deverá substituir integralmente a Portela, mas a transição só acontecerá quando o aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete estiver construído, testado e preparado para receber toda a operação aérea da região de Lisboa.
A previsão atualmente apontada coloca a entrada em funcionamento do Aeroporto Luís de Camões entre 2036 e 2037. A ANA – Aeroportos de Portugal tem trabalhado com esse horizonte temporal, embora o Governo admita a possibilidade de acelerar o calendário para tentar antecipar a abertura.
Portela continua até Alcochete estar pronto
Até à conclusão do novo aeroporto, o Aeroporto Humberto Delgado continuará a funcionar como principal porta de entrada aérea do país.
A estratégia definida passa por uma fase de transição: a Portela será mantida em operação enquanto o Luís de Camões não estiver totalmente preparado. Durante esse período, estão previstas intervenções para melhorar a capacidade e a eficiência do atual aeroporto, apesar das limitações físicas impostas pela localização urbana.
O objetivo final é abandonar o modelo de dois aeroportos permanentes e concentrar a operação aeroportuária de Lisboa numa única grande infraestrutura em Alcochete.
A mudança não acontece de um dia para o outro
A passagem da Portela para Alcochete será uma das maiores operações logísticas da história da aviação portuguesa. Antes da abertura ao público, o novo aeroporto terá de concluir várias etapas: construção das pistas e terminais, instalação dos sistemas de navegação e segurança, certificações técnicas, testes operacionais e preparação das companhias aéreas para a transferência.
Só depois desse processo será possível retirar progressivamente movimentos da Portela e transferir a operação para o novo aeroporto.
A dimensão da mudança explica por que razão não está previsto um encerramento imediato da Portela no momento em que Alcochete abrir. A transição terá de garantir continuidade do serviço e evitar perturbações no tráfego aéreo.
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O que acontecerá à Portela depois da mudança?
O Governo tem defendido que a solução final passa pelo encerramento da operação aeroportuária regular na Portela, concentrando-a no Aeroporto Luís de Camões.
A decisão prende-se com as limitações do atual aeroporto: falta de espaço para expansão, localização dentro da cidade e constrangimentos associados ao ruído e à capacidade operacional.
A Portela, que começou a funcionar em 1942, tornou-se essencial para o crescimento turístico e económico de Lisboa, mas há muito que é considerada uma infraestrutura sem margem significativa para acompanhar a procura futura.
Porque é que Alcochete só abre em 2036/2037?
O calendário está condicionado por vários fatores. Além da construção da infraestrutura aeroportuária, é necessário concluir avaliações ambientais, preparar os terrenos do Campo de Tiro de Alcochete, desenvolver acessibilidades e garantir a ligação ferroviária prevista para a nova zona aeroportuária.
A localização em Alcochete foi escolhida pelo Governo em maio de 2024, seguindo a recomendação da Comissão Técnica Independente, precisamente pela possibilidade de criar uma infraestrutura com capacidade de expansão futura.
Um dos principais argumentos dos críticos do calendário é o tempo que falta até à abertura. A procura pelo aeroporto de Lisboa tem aumentado nos últimos anos, pressionando uma infraestrutura que já opera próxima dos seus limites em períodos de maior movimento.
Os defensores de uma aceleração do projeto argumentam que cada ano adicional de espera aumenta a pressão sobre a Portela e pode limitar o crescimento económico e turístico da região.
Por outro lado, acelerar uma obra desta dimensão implica reduzir prazos de estudos, licenciamento e construção, processos que exigem rigor técnico e ambiental.
A data decisiva: 2036 ou 2037
Neste momento, a referência mais consistente aponta para 2036/2037 como o momento em que Lisboa poderá finalmente mudar de aeroporto.
Se o calendário for cumprido, a Portela deixará de ser o principal aeroporto da capital mais de 90 anos depois da sua abertura, dando lugar ao Aeroporto Luís de Camões, construído na margem sul do Tejo.
Até lá, a grande questão será saber se Portugal consegue executar, dentro dos prazos previstos, uma das maiores obras públicas das últimas décadas e garantir que a mudança acontece sem comprometer a ligação aérea de Lisboa ao mundo.