O Ministro da Administração Interna, Luís Neves, confirmou ter omitido a empresa de alojamento local da sua esposa na primeira declaração de património apresentada após assumir funções no Governo. O governante classificou a falha como um “mero lapso”, que acabou por ser retificado cerca de três meses depois junto da Entidade para a Transparência.
A empresa em causa, denominada Alcampos Unipessoal Lda, é detida na totalidade pela mulher do ministro, com quem é casado em regime de comunhão de adquiridos.
Embora tenha sido criada em junho de 2023, a firma nunca tinha sido mencionada nas declarações de Luís Neves, inclusive durante o período em que este exerceu o cargo de diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A correção do documento só foi submetida no final de maio, motivada pela necessidade de atualizar a declaração devido a um novo empréstimo bancário contraído pelo casal. Nessa alteração, além da empresa, passaram a constar uma conta bancária com mais de 133 mil euros e um aumento da dívida global para 315 mil euros.
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A Alcampos é a entidade responsável pela exploração turística do monte Corgo da Fonte, situado em Odemira, propriedade que tem estado envolta em polémica devido a obras realizadas sem o devido licenciamento camarário.
Adicionalmente, foi esta mesma empresa que contratou o construtor João Carvalho, cuja empresa de construção civil faturou cerca de dois milhões de euros em contratos com a PJ na altura em que esta era liderada pelo atual ministro. A autarquia de Odemira mantém o processo de fiscalização às obras em aberto, enquanto o ministro continua sem divulgar os recibos de pagamento dos trabalhos realizados no monte.