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Portugueses gastaram mil milhões de euros em pequenas compras online da China. A era das pechinchas chega ao fim

Durante anos, milhares de consumidores portugueses habituaram-se a encher carrinhos virtuais com produtos baratos vindos da China: roupa, acessórios, pequenos equipamentos eletrónicos, artigos para casa e todo o tipo de objetos vendidos a preços difíceis de igualar no comércio tradicional. Mas esse ciclo poderá estar a chegar ao fim. A entrada em vigor de novas regras europeias promete tornar estas compras mais caras e alterar os hábitos de consumo online.

Desde 2020, os portugueses terão gasto cerca de mil milhões de euros em pequenas compras provenientes da China, num fenómeno que ganhou força durante a pandemia. O confinamento, o crescimento do comércio eletrónico e a procura por preços baixos aceleraram a adesão a plataformas como Temu, Shein e AliExpress.

Antes da pandemia, este tipo de compras tinha um peso reduzido no consumo nacional. A mudança aconteceu quando milhões de consumidores passaram a comprar online com maior frequência e encontraram nestas plataformas produtos a preços muito inferiores aos praticados na Europa.

Um estudo divulgado pelo Banco Central Europeu indica que Portugal está entre os países da zona euro onde estas plataformas têm maior utilização: juntamente com Espanha e Grécia, mais de 70% dos consumidores inquiridos afirmaram já ter comprado em plataformas chinesas.

O fenómeno é particularmente forte entre famílias com rendimentos mais baixos, para quem a diferença de preço pode ser decisiva. A promessa de comprar vários artigos por poucos euros tornou estas plataformas populares num contexto marcado pela perda de poder de compra, inflação e aumento do custo de vida.

O fim da vantagem dos pequenos pacotes

A principal mudança resulta das novas regras da União Europeia para encomendas de baixo valor provenientes de fora do espaço comunitário. Até agora, compras inferiores a 150 euros beneficiavam de isenção de direitos aduaneiros. Com o fim dessa exceção, as encomendas vindas de plataformas como Temu, Shein ou AliExpress passam a suportar novos encargos, tornando muitas compras menos atrativas.

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A alteração surge depois de uma explosão no volume de pequenos envios. Em 2024, a União Europeia recebeu milhares de milhões de encomendas de baixo valor, com a grande maioria a ter origem na China. A Comissão Europeia tem defendido que o antigo regime criava uma vantagem competitiva injusta para plataformas estrangeiras face aos comerciantes europeus sujeitos a regras fiscais e regulatórias mais exigentes.

Consumidores terão de escolher mais

Para os consumidores portugueses, a mudança poderá significar preços finais mais elevados e menor frequência de compras impulsivas. Artigos que antes eram adquiridos quase sem reflexão — pela combinação entre preço baixo e entrega direta — poderão deixar de compensar quando forem acrescentadas novas taxas e custos administrativos.

Apesar disso, especialistas consideram que estas plataformas dificilmente desaparecerão. A sua força está também na enorme variedade de produtos, na capacidade logística e na rapidez com que acompanham tendências de consumo. O desafio será adaptar o modelo de negócio a um ambiente regulatório mais exigente.

A explosão das compras chinesas marcou uma mudança profunda nos hábitos dos consumidores portugueses: transformou pequenas encomendas em milhões de transações e criou uma nova relação com o consumo digital. Agora, com o aumento dos custos associados, a era das compras baratas sem limites poderá estar a chegar ao fim.

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