Pomargo, que trabalhou com Maradona desde 2016 e fazia parte da equipa liderada pelo advogado e representante do jogador, Matías Morla, afirmou que alertou o médico pessoal Leopoldo Luque para o problema com a bebida.
“Estava a beber muito. Não havia solução. Nesse mês chegou a discutir-se a hipótese de interná-lo à força, falava-se disso”, declarou perante o tribunal, referindo-se a outubro de 2020, cerca de um mês antes da morte do antigo jogador do Boca Juniors e do Nápoles.
Segundo o secretário pessoal, Maradona apresentava sinais preocupantes de deterioração física e psicológica. Pomargo contou que, nos últimos dias de vida, transmitiu a Luque e à psiquiatra Agustina Cosachov a sua preocupação com o estado do antigo campeão mundial, referindo que o via “muito inchado e deprimido”.
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O depoimento revelou também contradições sobre a decisão de manter Maradona em tratamento domiciliário após uma cirurgia ao cérebro, realizada poucas semanas antes da sua morte. Inicialmente, Pomargo negou ter tido influência na escolha, mas, confrontado com mensagens trocadas na altura, admitiu que Maradona não queria ser internado e que nunca teria tomado uma decisão contra a vontade do ex-jogador. “Ele nunca teria feito nada contra a vontade de Diego”, afirmou.
Durante a audiência, Pomargo relatou ainda que exames realizados em agosto de 2020 já tinham revelado problemas no fígado. O secretário disse ter pedido a Luque que alertasse Maradona sobre a gravidade da situação para tentar convencê-lo a abandonar o consumo de álcool. “Disse a Luque para o assustar com isso, para que deixasse de beber”, contou.
Maradona morreu a 25 de novembro de 2020, aos 60 anos, vítima de um edema pulmonar agudo provocado por uma insuficiência cardíaca crónica agudizada, segundo a autópsia. A morte ocorreu enquanto estava numa residência nos arredores de Buenos Aires, onde recuperava de uma cirurgia.