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O Governo português ocultou as verdadeiras razões da demissão no MAI?

A demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna (MAI), António Pombeiro, desencadeou uma guerra de versões entre o Governo e o próprio responsável, com trocas de emails a contradizer a narrativa oficial sobre as razões do seu pedido de exoneração e trazendo à tona acusações graves sobre a gestão da SIRESP, S.A., a empresa pública que gere o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal.

Origem da polémica

O caso começou com a demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, anunciada em maio de 2026. Essa demissão tornou-se pública no mesmo dia em que o major-general Paulo Viegas Nunes foi eleito presidente do conselho de administração da SIRESP, S.A., entidade pública que gere a rede de comunicações de emergência e segurança em Portugal.

Emails contradizem a versão oficial

Inicialmente, o MAI afirmou que Pombeiro tinha apresentado um primeiro pedido de demissão a 28 de abril por motivos não relacionados com a nomeação de Viegas Nunes, antes de essa nomeação ser conhecida.

No entanto, uma troca de emails internos a que a Lusa teve acesso indica que no pedido de exoneração de 28 de abril Pombeiro já mencionava preocupações com a gestão da SIRESP sob Viegas Nunes, incluindo a tentativa de aproximar a gestão da rede das Forças Armadas e outras “irregularidades”. Esses emails contradizem o relato que o MAI divulgou inicialmente e sugerem que a demissão estava já motivada por conflitos relacionados com a administração da SIRESP.

Acusações formais de “irregularidades”

Segundo outra reportagem, Pombeiro teria citado, já em abril, episódios que poderiam configurar conflitos de interesse, como a tentativa de um ex-diretor técnico da SIRESP de promover um contrato de consultoria em que tinha ligações familiares — situação que teria sido comunicada às autoridades competentes, incluindo a Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI).

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Reação do MAI e do Governo

O Luís Neves e o MAI rejeitaram as alegações de irregularidades, afirmando que uma auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) ao período de 2022-24 não detetou ilegalidades e que “desconformidades procedimentais foram corrigidas”. O ministro reiterou ainda “absoluta confiança” em Viegas Nunes como presidente do SIRESP e alinhamento com o modelo que este defende para o sistema.

Política e repercussões públicas

Partidos como o Chega e a Iniciativa Liberal pediram audições parlamentares urgentes para esclarecer a nomeação e as alegações, enquanto outros grupos — como o Livre — exigem acesso ao relatório completo da auditoria da IGF que analisou a administração de Viegas Nunes.

Contexto institucional

O SIRESP é um sistema de comunicações crítico utilizado por forças de segurança, proteção civil e serviços de emergência em Portugal, com ligação a sistemas operacionais essenciais em situações de crise. A entidade tem sido objeto de polémicas anteriores relacionadas com a sua gestão, desempenho e modernização.

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