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Brasil evita retaliação imediata às tarifas dos EUA. O que falta decidir sobre a resposta de Brasília

O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, voltou a defender o diálogo perante a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Ao mesmo tempo, Brasília mantém em aberto a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade

Lusa

O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, voltou a negar hoje (22) que o Brasil responderá com retaliação aos Estados Unidos e afirmou que a política do “olho por olho” deixará “os dois países cegos”. O novo aumento de tarifas de 25% dos EUA a produtos brasileiros, com uma lista de exceções, passa a valer a partir de hoje.

Ao longo de terça-feira, o vice-presidente brasileiro, com ministros, recebeu vários empresários, industriais e representantes de entidades que serão diretamente impactadas pela sobretaxa.

De forma geral, eles argumentaram às autoridades brasileiras para que Brasília não aplique a Lei da Reciprocidade e que o país insista no diálogo e na diplomacia com os EUA.

Após a reunião na terça-feira, durante a conferência de imprensa, Geraldo Alckmin voltou a repetir que «no momento adequado» o Governo brasileiro irá aplicar a lei da reciprocidade, e “do que depender do Brasil, negociação sempre para buscar resolver essas questões”.

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“Foi aprovada uma lei [pelo Congresso Nacional], a lei da reciprocidade, por unanimidade. É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim», citou. Na sequência, fez uma inferência, sem citar nomes, a uma frase de Mahatma Gandhi.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho, o que pode acontecer? Os dois ficarem cegos. Nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso, temos instrumentos para fazê-lo”, completou.

Na semana passada, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês) confirmou a aplicação da nova tarifa aos produtos brasileiros, por entender que o Brasil tem adota práticas comerciais “desleais” às empresas norte-americanas, e cita, por exemplo, o Pix, sistema de pagamento eletrónico e transferência instantânea criado pelo Banco Central do Brasil.

O Governo brasileiro chegou a classificar a medida como um “marco lastimável” na relação bilateral a decisão de Washington de aplicar a tarifa, e anunciou que acionaria a Lei de Reciprocidade contra os norte-americanos.

Segundo o governo brasileiro, 18% das exportações brasileiras para os EUA serão atingidas, o que corresponde a 7,2 mil milhões de dólares (6,28 mil milhões de euros na cotação atual), a partir de estimativas dos dados consolidados de 2025.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) lançará, em agosto, um plano de diversificação económica, em parceria com 57 entidades da agropecuária e da indústria, para apoiar empresas brasileiras afetadas na procura de novos mercados.

O plano terá um orçamento de 130 milhões de reais (22,2 milhões de euros), destinado, entre outras medidas, à inteligência de mercado, à vinda de compradores internacionais ao Brasil e à formação para empresas.

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