Início » Coragem e lucidez

Coragem e lucidez

Paulo RegoPaulo Rego*

Jorge Neto Valente não é uma voz qualquer. Está longe, como todos, de ter sempre razão; como não está livre de crítica ou de ter muitas vezes sido oligárquico na defesa de agendas próprias ou clientelas. Mas é um homem lúcido – e corajoso. E é preciso ouvir quem diz o que poucos ou ninguém diz. Porque não podem; acham que não devem, sabem que os prejudica. E esse é o problema. Esse beco empobrece o indivíduo, diminui a comunidade; mina o que Macau é – e quer ser.

Em plena sessão solene da Abertura do Ano Judicial, quando o Chefe do Executivo repete que o Governo não admite “qualquer interferência de forças externas nos assuntos de Macau”; onde o procurador Ip Son Sang destaca a importância do “reforço da consciência da defesa da soberania, da segurança e dos interesses do desenvolvimento do País”… Neto Valente dispara: “A erosão do pensamento crítico, a procura de unanimismo de opiniões e o silenciamento de vozes discordantes impendem o desenvolvimento e o progresso”.

Ser patriota é gostar da Pátria, defendê-la, querer desenvolvê-la. Tudo bem. Perigoso é fazer disso um imperativo moral autoritário

Denuncia: “Os magistrados têm a obrigação de defender a lei e quem é subserviente ao Estado não é um magistrado”.

E explica: “Precisamos de patriotas inteligentes e talentosos, com visão de futuro, capazes de trabalhar em prol do bem comum e pela realização da justiça social – e não apenas daqueles que com subserviência e vistas curtas, apregoam insistentemente o seu patriotismo para se tornarem notados e obterem vantagens para si próprios”. A lucidez é incontornável: ilumina – esclarece.

Leia mais sobre o assunto em: Magistrados têm obrigação de aplicar a lei, diz Neto Valente

A coragem é um murro no estômago: cura – mantém a sanidade. Adoro Macau. Esta mesma cidade, hoje, que é chinesa, que não é revolucionária, que é patriótica, que gosta da China e dela depende. Como certamente também Neto Valente.

Qual é o problema? Ser patriota é gostar da Pátria, defendê-la, querer desenvolvê- la. Tudo bem. Perigoso é fazer disso um imperativo moral autoritário. A China não precisa disso. E isso não serve Macau.

*Diretor-Geral do PLATAFORMA

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website