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Coincidências

António Bilrero*

No dia em que o território ainda está no rescaldo da passagem de mais um tufão pela cidade – a contabilidade a meio do dia falava em quase três centenas de ocorrências causadas pelo Higos, que obrigou a içar o sinal 10 de tempestade tropical, o mais elevado da escala –, ficou também a saber-se que é já no início de setembro que arranca a consulta pública do Plano Diretor de Macau, que vai vigorar até 2040. Nos próximos 20 anos. O debate vai prolongar-se por 60 dias, até 02 de novembro.

E muito haverá ainda a dizer e a inscrever, com força de “lei urbana”, num documento que vai determinar o futuro da cidade (região) em matérias como, o uso dos solos, as redes de infraestruturas, o desenvolvimento socioeconómico, no fundo, a estrutura urbana em que viveremos e cresceremos, todos os dias, no próximo futuro. É obra. A entrada em vigor do plano obriga, por isso, a um conjunto de passos – desde a respetiva elaboração, até à recolha e integração de pareceres de entidades competentes espalhadas por diferentes estruturas da administração e gestão da pólis.

Com esta memória bem fresca, vamos lá pensar em estabelecer regras claras e definir instrumentos precisos para o desenvolvimento futuro de Macau

E, lamentando sempre o estado de exceção e as consequências para pessoas e bens decorrentes de fenómenos climatéricos extremos, não haverá muitos exemplos melhores do que chegar às vésperas de uma consulta pública, tendo como pano de fundo a avaliação dos constrangimentos causados à cidade e às pessoas pela passagem de mais um tufão, para “obrigar” aqueles que têm responsabilidades no governo da cidade a pensarem bem e a decidirem melhor.

Pelo bem público, e para bem das gentes.

As cheias, os cortes de energia, o funcionamento dos abrigos, a fortíssima densidade populacional, a sobrecarga da malha urbana, com “transformers” de dezenas de andares espalhados por avenidas, ruas e vielas, as ruturas expectáveis nas redes de transportes… tudo isto vem, desgraçadamente, à tona de água nestes momentos extremos.

Por isso, com esta memória bem fresca, vamos lá pensar em estabelecer regras claras e definir instrumentos precisos para o desenvolvimento futuro de Macau. É isso que se pede ao Plano Diretor. É disso que a cidade está à espera. E não é pouco!

*Editor-executivo do Plataforma

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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