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“Cabo Delgado não é um conflito religioso”, diz líder islâmico

Arsénio Reis

“A maioria dos deslocados na província são muçulmanos”, esclarece o líder da Comunidade Islâmica em Moçambique. Em declarações exclusivas ao PLATAFORMA, Abdul Rashid Ismail garante que “Cabo Delgado não é um conflito religioso”. As milícias, que ultimamente espalham a narrativa do Estado Islâmico, “querem denegrir a comunidade muçulmana” , garante.

A tese segundo a qual o Estado Islâmico estaria por trás dos massacres, na região rica em minerais e gás natural é terminantemente negada pelo líder religioso, que lembra outras regiões do país habitadas por membros da comunidade muçulmana, onde não há conflitos. Porquê? Para Abdul Rashid Ismail, a explicação é simples: “Nessas zonas não acontece nada porque não há lá nada, não há as riquezas que existem em Cabo Delgado”.

Este é “simplesmente, um apelo à paz”, frisa Ismail, lamenta o comportamento de outros países e instituições operante o massacre de mais de 1.100 pessoas e o terror que em que vivem 200 mil deslocados: “A comunidade internacional fala muito de direitos humanos, mas até agora não fez nada”. Por isso o seu apelo não é dirigido à comunidade internacional, mas sim “à humanidade, em especial aos países de língua portuguesa, para que ajudem na resolução definitiva deste problema”.

O radicalismo e o fundamentalismo existem em todas as sociedades e religiões, assume o líder da comunidade islâmica. Mas, neste caso, alguém “está a fabricar estes extremistas e há interesses externos de empresas e de países” que ajudam a explicar o conflito armado. “Quem ataca são como atores que representam o papel de muçulmanos… Há ali muitos ‘Anthony Quinn’s’, que querem denegrir a imagem do Islão”, remata.

Do alto dos seus mais de 60 anos, o responsável religioso garante que “nunca conheceu um muçulmano violento em Moçambique”. E lança o apelo: no terreno, em Cabo Delgado, não há apoios, ninguém está a ajudar. Os refugiados estão “entregues à sua sorte e só pedem comida e um teto”. Até porque “o governo local não tem condições para apoiar a quantidade de pessoas que tem abandonado os seu locais de origem”.

A comunidade muçulmana tem lá tem ido entregar alimentação…e é também a comunidade islâmica que vai lançar “um projeto de construção de 200 casas, num condomínio que também deve ter uma escola primária, um posto de saúde, um posto de polícia e um jardim”, descreve Ismail.

Se pudesse reunir com o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, o líder islâmico só tinha um pedido: “Mobilize as forças militares necessárias para travar o conflito”, que se arrasta há mais de dois anos. Se o país teve meios para travar uma guerra durante tantos anos, “como é possível que não tenha meios os para mandar para Cabo Delgado e para com este conflito?”, pergunta o líder religioso.

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