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Milícias filmadas em Cabo Delgado: por Alá ou negócios do gás…

Paulo Rego

No conjunto de vídeos recolhidos no terreno, eliminámos imagens chocantes – de cadáveres mutilados – e ladainhas de propaganda terrorista. Não as promovemos. O PLATAFORMA publicou na última semana várias pistas sobre os motivos por trás dos massacres: conflitos étnicos, ameaça do Estado Islâmico, lutas internas de poder, interesses estrangeiros ligados ao gás natural… Veja as milícias armadas, de cara tapada.

“Queimam casas, matam pessoas e decepam cabeças”, descreve o Bispo de Pemba, tendo já provocado mais de 1.100 mortes e 200.000 deslocados, segundo o Centro para a Democracia e Desenvolvimento. Em entrevista ao PLATAFORMA, D. Luíz Fernando Lisboa, recusa a tese da guerra religiosa, pois as explicações são muitas; “não é una”. As milícias armadas, de cara tapada, falam várias línguas – incluindo o português – misturam-se com as populações, contam histórias diferentes… “Na verdade, não sabemos bem o que eles querem”, resume D. Luíz Fernando Lisboa.

Em entrevista ontem publicada ao PLATAFORMA, Adriano Nuvunga, diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, ONG com sede em Maputo, sustenta que a tese de que o terror é fomentado por “lutas internas” entre “grandes chefes” da política e da economia moçambicana, que “instrumentalizam” o Exército e a polícia, permeáveis à “corrupção”. Denúncia que encontra eco em declarações recentes do próprio presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

Sobre a atuação das milícias armadas, Nuvunga esclarece que o terror é diário – não é só feito de mortes. Os ataques “são cada vez mais frequentes”, mas “os insurgentes passam regularmente e misturam-se nas aldeias. As comunidades passam as noites na mata, com medo de voltar às suas casas”.

O PLATAFORMA publicou no sábado várias notícias com denúncia dos massacres feita pelo Bispo de Pemba; ontem, as explicações do diretor do Centro para a Democracia Desenvolvimento. A partir de hoje, na nossa página do Facebook, pode ver em vídeo as duas entrevistas completas, para uma compreensão profunda e detalhada do drama que se vive em Cabo Delgado.

D. Luíz Fernando Lisboa e o terror que se vive no terreno

Adriano Nuvunga e os negócios por trás do gás natural a alimentarem o massacre

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