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Uma nova forma de vida

Desde o início do surto de coronavírus que escolas foram encerradas, empresas suspenderam temporariamente a atividade e o Governo aplicou medidas de controlo de fronteiras. O fluxo da população foi reduzido. A vida continua e muitos residentes de Macau estão agora em regime de teletrabalho pela primeira vez. 

Para uns, esta opção pode parecer menos eficiente, mas possibilita soluções criativas habitualmente ausentes dos locais de trabalho comuns.
Na educação há quem acredite que é preciso desenvolver o ensino à distância como método auxiliar para situações extraordinárias. Empregadores olham para esta opção mais como uma solução temporária: “Uma boa empresa desenvolve entre colegas um espírito de família. Este ambiente de equipa e de trabalho só é possível se todos os trabalhadores estiverem juntos”. 

TRABALHO E LAZER
Ahwen, funcionário numa empresa tecnológica, já terminou o período em que esteve em regime de teletrabalho. Depois de voltar à empresa continua, todavia, a lidar online com alguns colegas que estão a trabalhar a partir do exterior. Analisando os tempos de teletrabalho assinala que todos tinham as tarefas bem pré-determinadas. “Todos os dias seguia uma relação das tarefas executadas”, diz. A ausência do escritório físico teve um impacto negativo na comunicação com os colegas, mas os benefícios do teletrabalho permitiram-lhe poupar tempo, designadamente nas deslocações. “Estar em casa a tomar conta da família e dos animais de estimação ajuda no equilibro entre trabalho e lazer”, reconhece.
Muitos argumentam que supervisionar o teletrabalho é uma tarefa difícil. Ahwen admite que, para quem trabalha das 09:00 às 18:00, estar em teletrabalho acaba por ter um horário mais flexível.
“Basta executar o trabalho designado para o dia”, diz. 

ENSINAR A PARTIR DE CASA
A professora Huang está em regime de teletrabalho a partir de casa e tem um horário flexível. Durante a suspensão das aulas físicas preparou vídeos e diferentes softwares online para comunicar com os alunos e garantir que estes continuam o processo de aprendizagem. Ao mesmo tempo toma conta das duas filhas pequenas. Todas as manhãs, após um primeiro turno de aulas, ajuda as filhas com os trabalhos de casa. Depois de almoço, durante o intervalo das filhas, volta ao trabalho e às aulas, ajudando-as depois a fazer uma revisão. E ainda tem tarefas domésticas, como cozinhar. “Não paro todo o dia, não tenho descanso”, diz.
A maioria das escolas em Macau não tinha qualquer plano de teletrabalho ou de aulas online e esta foi “uma mudança drástica”. Quanto ao processo de adaptação, Huang ri-se, admitindo que fez “um bom trabalho” de preparação. “Produzi muitos conteúdos, como vídeos, softwares de comunicação com os alunos e aulas online no Zoom. Todos podem tirar dúvidas. Basta continuarem a estudar”, atira. 

GESTÃO EM FUNÇÃO DO TRABALHO 

A empresa de caixas registadoras Keruyun (Macau) também não tinha qualquer funcionário em regime de teletrabalho antes do surto epidémico com o novo coronavírus. Desde que o Governo incentivou as pessoas a ficar em casa, no início de fevereiro, a empresa tem todos os funcionários em teletrabalho.
Lin Haoxian, diretor-executivo da empresa, entende que há uma linha estreita a separar a vida pessoal, em casa, e o teletrabalho, tornando difícil criar um espaço de trabalho eficiente. “Quando se está em casa torna-se difícil separar o trabalho e a vida quotidiana, especialmente quando existem várias coisas a tratar dentro de portas. A gestão sofre do mesmo problema, contactando os funcionários a diferentes horas do dia, sem definir claramente um horário de trabalho”, lembra.
Já sobre a questão da eficiência no teletrabalho, Lin acredita que depende do tipo de ocupação e da gestão. “Na nossa empresa, por exemplo, os departamentos de tecnologia, design e apoio ao cliente são todos geridos através de tarefas, avaliados por indicadores de desempenho, por isso o impacto é reduzido. Algumas funções como vendas e apoio técnico pós-venda, que envolvem interação com clientes, são claramente afetadas pelo teletrabalho”, conclui. 

PODE TORNAR-SE PERMANENTE?
Trocando os engarrafamentos pelo teletrabalho, muitos funcionários e empregadores estão a utilizar pela primeira vez este novo regime. A questão é se este pode tornar-se permanente. Para a professora Huang deve desenvolver-se mais o ensino à distância. “Não sabemos o que poderá acontecer no futuro. Poderá haver uma nova pandemia, ou catástrofe natural e por isso devem existir formas de ensino à distância, como medida preventiva”. Ahwen concorda: “Sinto-me um pouco menos eficiente, mas tenho mais tempo para planear tudo. Em casa senti-me mais criativo, tendo ideias que normalmente não teria no escritório. Por isso apoio que se continue com o teletrabalho”.
Já Lin Haoxian entende que o teletrabalho apresenta um método flexível para o futuro, mas continua a vê-lo como uma solução temporária ou parcial. “Uma boa empresa desenvolve entre os funcionários um espírito de família. Este ambiente só é possível se todos os trabalhadores estiverem juntos”, conclui. 

CAROL LAW 09.04.2020

Este artigo está disponível em: 繁體中文

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