Um relatório publicado hoje (11) por entidades estatais chinesas alerta que, apesar da resiliência demonstrada em 2026, os Países de Língua Portuguesa enfrentam “fortes pressões externas” que condicionam o ritmo de desenvolvimento das suas infraestruturas.
Os dados constam de um relatório anual que avalia o estado e as perspetivas do desenvolvimento de infraestruturas nos nove Países de Língua Portuguesa e os progressos de Macau na cooperação no âmbito da Iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” (BRI, na sigla em inglês), publicado hoje durante a abertura do 17.º Fórum e Exposição Internacional sobre o Investimento e Construção de Infraestruturas (17.º IIICF), organizado em Macau.
O setor da construção e infraestruturas tem sido afetado por “políticas monetárias divergentes”, que aumentam a incerteza nos custos de financiamento, por “ajustes no comércio internacional que alteram a procura de projetos” e por uma “crescente volatilidade geopolítica que eleva os riscos de investimento”, segundo o documento.
Além disso, a dívida soberana elevada em alguns países e a lentidão das reformas estruturais têm reduzido a eficiência e a atratividade dos mercados locais. “Com fatores favoráveis e constrangimentos a interagir, a indústria de infraestruturas nos PLP [países de língua portuguesa] manteve-se globalmente estável”, assinala o relatório.
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O relatório foi elaborado pela Associação Chinesa de Empreiteiros Internacionais – a única organização nacional chinesa dedicada ao setor da construção internacional – e pela seguradora estatal Sinosure. O estudo mede o desempenho através de quatro dimensões centrais: ambiente de desenvolvimento, procura, dinâmica de investimento e custos, com base em 15 indicadores secundários e 43 indicadores básicos.
Apesar destas pressões, o relatório aponta que o Índice de Desenvolvimento das Infraestruturas (IDI) nestes países se manteve estável em 126 pontos em 2026.
O Brasil reforçou a liderança com 129 pontos, apoiado pelo “Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC)”, um plano de investimentos do Governo Federal brasileiro, lançado em 2023, focado em infraestrutura, industrialização e desenvolvimento sustentável, e por reformas fiscais.
“O Novo PAC tem sido plenamente implementado e avançado, libertando uma procura sustentada em setores como energia e transportes”, refere o estudo.
“A procura rígida por transportes, energia e serviços públicos manteve-se sólida”, assinala o documento, acrescentando que a cooperação prática entre a China e os países lusófonos aprofundou-se, com novos projetos em energia verde e infraestruturas digitais.
Moçambique subiu para o segundo lugar com 118 pontos, beneficiando de projetos energéticos apoiados por instituições financeiras multilaterais, aponta ainda o relatório. “As vantagens em recursos energéticos impulsionaram a rápida implementação de projetos de eletricidade”, assinala-se.
Angola, por sua vez, desceu ligeiramente para 115 pontos, penalizada por “flutuações cambiais, custos de importação crescentes e constrangimentos fiscais”. Apesar disso, mantém uma base sólida em setores tradicionais como transportes e construção.
A Guiné Equatorial manteve-se em quarto lugar (113 pontos), Portugal em quinto (111), Timor-Leste em sexto (108), Cabo Verde caiu para sétimo (104), seguido pela Guiné-Bissau (102) e São Tomé e Príncipe (101).
O relatório destaca ainda que Macau tem desempenhado um “papel ativo na financiamento multilateral”, apoiando projetos de energia verde, transportes e digitalização nos países lusófonos.