A entrada de dezenas de milhares de migrantes em Ceuta voltou a colocar as atenções sobre Ceuta e Melilla, os dois enclaves espanhóis em território africano que representam as únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e África. A localização geográfica, a pressão migratória e as relações entre Espanha e Marrocos fazem destas cidades dois dos pontos mais sensíveis da política europeia de migração.
As únicas fronteiras terrestres entre a UE e África
Ceuta e Melilla são duas cidades autónomas espanholas situadas na costa norte de África e rodeadas por território marroquino. Por fazerem parte de Espanha, constituem também fronteiras externas da União Europeia, tornando-se um dos principais destinos para migrantes que procuram entrar em solo europeu.
Ao longo das últimas duas décadas, ambas as cidades foram protegidas com cercas metálicas, sistemas de videovigilância, sensores e um forte dispositivo policial para travar as entradas irregulares. Apesar disso, continuam a registar tentativas frequentes de passagem por terra e por mar.
Pressão migratória recorrente
A atual crise em Ceuta é a maior desde 2021 e levou o Governo espanhol a mobilizar o Exército, reforçar a Guardia Civil e solicitar apoio europeu. A Comissão Europeia já manifestou disponibilidade para reforçar a presença da Frontex e apoiar Madrid na gestão da fronteira.
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A pressão migratória está frequentemente ligada à situação económica em vários países africanos, mas também às relações diplomáticas entre Espanha e Marrocos, que desempenha um papel determinante no controlo da fronteira.
Um desafio permanente para a União Europeia
Além da componente humanitária, Ceuta e Melilla representam um dos maiores desafios para a política migratória europeia. Sempre que aumenta o número de chegadas, cresce também a pressão sobre os centros de acolhimento, as forças de segurança e as instituições europeias.
Os acontecimentos dos últimos dias demonstram que estes dois territórios continuam a ser um dos principais barómetros da imigração irregular para a União Europeia e um ponto de tensão permanente entre segurança, direitos humanos e cooperação internacional.