O presidente da FIFA, Gianni Infantino, desistiu do polémico plano para abrir a organização ao investimento privado, recuando perante a forte contestação de confederações, federações nacionais e dirigentes do futebol internacional.
O projeto previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma nova empresa responsável pela exploração comercial das principais competições da FIFA, incluindo os Campeonatos do Mundo masculino e feminino e o Mundial de Clubes. A intenção era vender 20% do capital a investidores privados, numa operação que avaliava a nova sociedade em cerca de 20 mil milhões de dólares.
Segundo a FIFA, o objetivo era gerar cerca de 4,2 mil milhões de dólares para aumentar o financiamento destinado às 211 federações nacionais. Cada associação poderia receber até 20 milhões de dólares adicionais para projetos de desenvolvimento do futebol.
No entanto, a proposta encontrou uma oposição generalizada. A UEFA liderou a contestação, defendendo que o Campeonato do Mundo “não está à venda” e ameaçando boicotar as competições da FIFA caso o projeto avançasse. A posição foi acompanhada pela CONCACAF e pela Confederação Asiática de Futebol (AFC), formando uma maioria entre as federações continentais.
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A resistência também surgiu dentro da própria FIFA. O conselheiro sénior Carlos Cordeiro apresentou a demissão em protesto contra a iniciativa, enquanto o diretor de operações, Kevin Lamour, criticou a falta de transparência no processo e a forma como a proposta foi conduzida.
Perante a crescente contestação, Gianni Infantino anunciou que a proposta seria retirada. “Depois de ouvir atentamente todas as opiniões, tornou-se claro que este projeto criou divisões que deixaram de servir o objetivo inicialmente definido”, afirmou o presidente da FIFA.
O recuo representa uma das maiores derrotas políticas de Infantino desde que assumiu a presidência da FIFA, em 2016. A polémica surge poucos meses antes das eleições presidenciais da organização, previstas para 2027, e poderá fragilizar a posição do dirigente suíço, que até agora era apontado como favorito à reeleição.
Esta foi a segunda tentativa falhada de Infantino para atrair investimento privado para a FIFA. Em 2018, o dirigente já tinha promovido um projeto semelhante, apoiado pelo grupo japonês SoftBank, que acabou igualmente abandonado após críticas das federações e confederações.