A tensão entre os árbitros portugueses e a direção da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) voltou a subir de tom. Os juízes das competições profissionais decidiram não participar na primeira ação de reciclagem e avaliação da temporada e admitem avançar para um boicote à Supertaça Cândido de Oliveira, exigindo um pedido de desculpa público de Pedro Proença.
A posição foi assumida esta sexta-feira, dia em que arrancou, em Tomar, a ação de formação obrigatória promovida pelo Conselho de Arbitragem (CA). Em comunicado, o grupo de árbitros justifica a ausência com a falta de condições para iniciar os trabalhos, na sequência da polémica gerada pela divulgação de gravações atribuídas ao presidente da FPF.
“Face aos acontecimentos que têm envolvido a arbitragem nacional, não estão reunidas as condições necessárias para o arranque dos trabalhos”, referem os árbitros na nota divulgada.
O diferendo surgiu depois de terem sido tornados públicos áudios gravados em 2024, nos quais Pedro Proença faz críticas à arbitragem portuguesa durante encontros realizados antes da sua eleição para a presidência da Federação.
Leia mais: O que está na denúncia entregue à PJ? Os elementos que podem definir o futuro do caso da arbitragem
Segundo várias informações, os árbitros consideram que as declarações colocaram em causa o prestígio e a credibilidade da classe e reclamam um esclarecimento formal por parte do dirigente federativo.
Entretanto, Pedro Proença terá estabelecido contactos com alguns elementos da arbitragem, mostrando disponibilidade para se deslocar a Tomar e dialogar diretamente com os juízes, numa tentativa de ultrapassar o impasse.
A contestação acontece numa fase sensível da época desportiva. A Supertaça Cândido de Oliveira, que marca oficialmente o arranque da temporada nacional, está agendada para o próximo sábado, em Coimbra, onde FC Porto e Torreense disputarão o primeiro troféu de 2026/27. A possibilidade de um boicote por parte dos árbitros poderá obrigar a Federação a encontrar uma solução de emergência.
Na quarta-feira, Pedro Proença reagiu publicamente à divulgação dos áudios, classificando-os como conversas privadas divulgadas de forma “ilegal”, “imoral” e descontextualizada. O presidente da FPF admitiu ainda recorrer à via judicial para identificar e responsabilizar os autores da divulgação das gravações.