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Mensagens, chamadas e áudios entregues à PJ levantam dúvidas sobre corrupção na arbitragem

Queixa entregue à Polícia Judiciária reúne mensagens, áudios e relatos de reuniões na Cidade do Futebol. Em causa estão alegadas fugas de informação sobre escolhas de árbitros e eventuais crimes de corrupção e tráfico de influência.

A Polícia Judiciária recebeu uma participação que levanta suspeitas sobre o processo de nomeação de árbitros no futebol português, com alegadas fugas de informação antes da divulgação oficial das equipas de arbitragem.

Segundo o jornal Público, a denúncia entregue à PJ tem cerca de 20 páginas e inclui mensagens de WhatsApp, capturas de ecrã, registos de chamadas, áudios, vídeo-mensagens e relatos de reuniões realizadas na Cidade do Futebol entre abril e junho deste ano.

O documento descreve alegados contactos entre responsáveis da arbitragem e dirigentes desportivos, apontando para possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. Entre os episódios relatados estarão informações sobre nomeações relativas aos jogos Moreirense-Estrela da Amadora e Estrela da Amadora-Famalicão, da reta final da Liga Betclic.

A denúncia surge depois da saída de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional da arbitragem. O antigo árbitro alegou ter recebido informações de um juiz que levantavam “preocupações institucionais muito relevantes” sobre o funcionamento do setor.

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O caso já tinha motivado uma investigação interna da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ao presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, mas o Conselho de Justiça decidiu arquivar o processo por considerar que não existiam indícios suficientes de infração disciplinar.

No relatório do processo arquivado, a FPF concluiu que não ficou demonstrado que Luciano Gonçalves tenha divulgado antecipadamente nomeações de árbitros ou que tenha tentado influenciar resultados através de contactos com agentes da arbitragem.

A investigação da PJ surge agora num novo plano, com uma participação que reúne elementos documentais e testemunhos sobre alegadas práticas relacionadas com o acesso antecipado a informação considerada sensível.

Até ao momento, não são conhecidos arguidos nem foram divulgadas medidas judiciais no âmbito desta participação. A Polícia Judiciária deverá agora avaliar os elementos entregues e decidir eventuais diligências de investigação.

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