A criança viajava desde Dakar, no Senegal, acompanhada por uma mulher de 45 anos que afirmava ser sua mãe. A suspeita acabou detida pela PSP por fortes indícios de tráfico de pessoas.
O caso foi descoberto durante um controlo fronteiriço realizado pela Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras da PSP. Os agentes detetaram várias incongruências na documentação apresentada, na alegada relação familiar entre as duas e nas explicações dadas durante a fiscalização.
A mulher apresentou-se inicialmente como mãe da criança, mas as autoridades verificaram que essa ligação não correspondia à realidade. A PSP apurou ainda que a menor viajava com um documento de viagem pertencente a outra pessoa.
Com o apoio de um elemento da Frontex presente no aeroporto, os agentes aprofundaram a investigação e ouviram a criança em ambiente protegido. Foi nesse contexto que a menina contou que não tinha qualquer relação familiar com a mulher que a acompanhava e explicou que tinha sido entregue pelos pais para ser transportada até França.
Segundo o relato prestado às autoridades, o objetivo seria entregar a criança a um homem naquele país, a quem teria sido prometida em casamento como forma de compensar uma dívida contraída pela família.
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A acompanhante acabou também por admitir que tinha recebido dinheiro para transportar e entregar a menor, reforçando as suspeitas das autoridades. A PSP deteve a mulher e, após validação do Ministério Público, retirou imediatamente a criança da sua companhia. A suspeita foi constituída arguida e ficou em prisão preventiva.
A menina revelou ainda receio de regressar ao país de origem ou de voltar para junto da família, por temer ser novamente utilizada para pagamento de dívidas.
Perante a situação de vulnerabilidade identificada, foram acionados os mecanismos de proteção previstos para crianças e jovens em perigo. A menor passou a ser acompanhada por equipas especializadas no apoio a vítimas de tráfico de seres humanos.
O caso continua sob investigação para apurar todas as circunstâncias da viagem e identificar eventuais outros intervenientes numa alegada rede de exploração da criança.