A província oriental de Zhejiang, onde estão sediadas empresas como a Alibaba, a ‘startup’ de inteligência artificial DeepSeek e a fabricante de robôs Unitree, liderou entre as principais economias regionais, com um crescimento homólogo de 5.7%, atingindo quase 4,8 biliões de yuan.
O resultado superou a expansão de 4.7% da economia chinesa no primeiro semestre, enquanto várias outras províncias ficaram abaixo da média nacional.
“A evolução das províncias reflete a economia chinesa em ‘K'”, afirmou Xu Tianchen, economista sénior da Economist Intelligence Unit (EIU), a divisão de análise económica e de risco da revista The Economist.
A chamada economia em “K” descreve uma recuperação ou crescimento desigual, em que alguns setores ou regiões registam uma forte expansão, enquanto outros permanecem estagnados ou em declínio.
Segundo Xu, as regiões fortemente orientadas para as exportações e dotadas de um setor tecnológico ou de indústria transformadora avançada apresentam um desempenho superior, ao passo que as economias dependentes da procura interna e de indústrias tradicionais enfrentam maiores dificuldades.
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Depois de Zhejiang, as províncias de Anhui e Shandong e a cidade de Xangai registaram crescimentos de 5.6%, impulsionados pela indústria de alta tecnologia e pela resiliência das exportações. Jiangsu, outro importante polo industrial, cresceu 5.2%, ultrapassando Guangdong (4.5%), que faz fronteira com Macau e Hong Kong. Guangdong mantém, ainda assim, o estatuto de maior economia provincial da China em termos absolutos.
No extremo oposto surgem províncias mais dependentes do turismo, dos serviços ou das matérias-primas. Hainan, cuja economia assenta sobretudo no turismo, na agricultura e imobiliário, cresceu apenas 2% no primeiro semestre, apesar da criação do porto de comércio livre da ilha.
Yunnan, impulsionada pelo tabaco, mineração e turismo, registou uma expansão de 2.5%, valor idêntico ao da província de Liaoning, no nordeste industrial.
Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post, o economista da Universidade de Pequim, Su Jian, atribuiu estas diferenças não apenas ao peso crescente da economia tecnológica, mas também às condições geográficas, à evolução demográfica e à campanha de Pequim para reduzir o excesso de capacidade em setores tradicionais como o aço, o carvão e o imobiliário.
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“As reformas estruturais e a redução do excesso de capacidade tradicional alargaram a distância entre os novos polos industriais e as províncias que dependem da indústria tradicional para crescer”, afirmou.
O académico considerou que esta divergência regional poderá intensificar-se na segunda metade do ano, uma vez que o reforço da indústria tecnológica e a reestruturação da economia constituem objetivos estratégicos de longo prazo.
Xu Tianchen afirmou que a tendência poderá atenuar-se, caso o Governo chinês intensifique as políticas de estímulo ao consumo interno, embora alerte para os riscos de uma eventual desaceleração do investimento mundial em inteligência artificial.