Vinte e quatro protocolos de cooperação, avaliados em cerca de 150 milhões de dólares norte-americanos (cerca de 1,2 mil milhões de patacas), foram assinados no Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, realizado a 24 de julho, em Maputo.
Os entendimentos abrangem infraestruturas, comércio, serviços profissionais e cooperação académica, segundo informação divulgada pelo Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O organismo não especificou, porém, o valor individual de cada protocolo, a identidade de todas as entidades signatárias ou os prazos previstos para a concretização dos investimentos.
Subordinado ao tema “Investimento em infraestruturas logísticas como motor de desenvolvimento”, o encontro reuniu mais de 350 representantes governamentais e empresariais do Interior da China, de Moçambique, Macau e Hengqin. Foram ainda organizadas mais de 200 sessões de bolsas de contactos.
A dimensão financeira dos protocolos foi apresentada como um dos principais resultados do evento, embora a informação disponível não permita ainda determinar quantos correspondem a investimentos vinculativos, memorandos de entendimento ou compromissos numa fase inicial de negociação.
Infraestruturas no centro da cooperação
O director-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique, Luís José Machava, apontou as infra-estruturas como um dos principais motores do desenvolvimento futuro do país.
O responsável defendeu que o encontro poderá contribuir para alargar a cooperação entre Moçambique, a China e os restantes países de língua portuguesa, incluindo nas áreas da indústria transformadora, mineração e desenvolvimento digital.
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Já o presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, considerou que a iniciativa poderá reforçar as relações comerciais entre a China e Moçambique e apoiar a diversificação da economia moçambicana.
O vice-presidente do Conselho para a Promoção do Comércio Internacional da China, Liu Jiannan, destacou, por sua vez, a complementaridade entre a economia chinesa e as dos países lusófonos, defendendo o aprofundamento do investimento e da cooperação industrial.
O encontro realizou-se no ano em que se assinala o décimo aniversário da Parceria Estratégica Abrangente entre a China e Moçambique. Em Abril, os dois países elevaram as relações bilaterais ao estatuto de “Comunidade de Futuro Partilhado China-Moçambique na Nova Era”.
IPIM alarga rede em Moçambique
Durante a deslocação, o IPIM convidou a Associação Industrial de Moçambique a integrar a “Plataforma de Comércio Sino-Lusófono – Parceiros de Expansão de Mercado”, uma rede criada para aproximar empresas chinesas e lusófonas.
A delegação empresarial realizou também visitas à Embaixada da China em Moçambique, associações empresariais, empresas e projectos ligados a infraestruturas, portos e comércio.
Segundo o IPIM, algumas empresas moçambicanas manifestaram interesse em utilizar Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, em Hengqin, como pontos de acesso ao mercado chinês.
O organismo voltou igualmente a promover os três certames económicos que decorrerão em Macau entre 21 e 24 de outubro: a Feira Internacional de Macau, a Exposição de Produtos e Serviços dos Países de Língua Portuguesa e a Exposição de Franquia de Macau.
A próxima edição do Encontro de Empresários deverá realizar-se em Timor-Leste. Até lá, a relevância económica dos compromissos anunciados em Maputo dependerá da passagem dos protocolos para projetos identificados, financiados e executados.