De acordo com o Retrato das Residências Sénior em Portugal 2025, elaborado pela Via Senior, o preço médio mensal de uma residência sénior privada no país ronda os 1.400 a 1.500 euros, mas existem diferenças significativas entre regiões, influenciadas pela oferta disponível, procura, custos de operação e localização.
Lisboa lidera entre os distritos mais caros
Lisboa continua a ser o distrito com os preços médios mais elevados. Em muitas unidades privadas, as mensalidades ultrapassam os 2.000 euros, sobretudo em residências com cuidados especializados, quartos individuais e serviços diferenciados.
Também o Porto, Faro e Setúbal registam valores acima da média nacional, refletindo a forte procura e os custos mais elevados associados às áreas metropolitanas e zonas turísticas.
Interior mantém preços mais acessíveis
Nos distritos do interior, como Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre ou Beja, é possível encontrar mensalidades significativamente mais baixas, muitas vezes entre 900 e 1.200 euros, embora a oferta seja mais limitada e nem sempre exista disponibilidade imediata.
Ainda assim, especialistas alertam que preços mais baixos não significam necessariamente maior facilidade de acesso, já que muitas respostas sociais apresentam listas de espera prolongadas.
Diferenças explicam deslocação das famílias
As diferenças de preço levam muitas famílias a procurar vagas fora do distrito de residência do idoso. Em alguns casos, a distância acaba por ser compensada pela poupança mensal, sobretudo quando a permanência será definitiva.
Segundo o primeiro Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal, nove em cada dez famílias iniciam a procura com um orçamento máximo de 2.000 euros, mas muitas acabam por ultrapassar esse limite para garantir uma vaga.
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O preço depende de vários fatores
O valor da mensalidade não varia apenas consoante o distrito. Entre os fatores que mais influenciam o preço estão:
- localização da residência;
- quarto individual ou partilhado;
- grau de dependência do residente;
- existência de cuidados de enfermagem ou apoio clínico permanente;
- serviços incluídos, como fisioterapia, terapia ocupacional ou acompanhamento especializado.
Quanto maior for a dependência do idoso, maior tende a ser o custo mensal, devido à necessidade de mais recursos humanos e cuidados permanentes.
Procura continua concentrada nas grandes cidades
Lisboa concentra cerca de 49% dos pedidos de procura de residências sénior registados pela Via Senior, seguida do Porto (14%) e de Setúbal (12%). Em conjunto, estes três distritos representam cerca de três quartos da procura nacional analisada.
A elevada concentração da procura nas áreas metropolitanas contribui para a pressão sobre os preços e reduz a disponibilidade de vagas, obrigando muitas famílias a alargar a pesquisa a outras regiões do país.
Famílias pedem mais apoios
Perante o aumento das mensalidades e o envelhecimento da população, especialistas defendem a criação de mecanismos públicos de apoio direto às famílias, semelhantes aos existentes em Espanha.
A proposta passa pela criação de um “Cheque Sénior”, cuja comparticipação variaria em função dos rendimentos do agregado, do grau de dependência do idoso e do custo da residência escolhida, permitindo aliviar o esforço financeiro das famílias que atualmente suportam a maior parte da despesa.