Mais de metade das famílias que procuram uma residência sénior com um orçamento mensal até 1.500 euros acaba por pagar mais do que tinha previsto. A conclusão é do primeiro Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal, elaborado pela Via Senior e pela BA&N Research Unit, que aponta para uma forte pressão financeira sobre quem procura uma resposta para familiares idosos.
Segundo o estudo, 52% das famílias neste escalão de rendimento ultrapassam o orçamento inicialmente definido para conseguir uma vaga. A situação melhora à medida que aumenta a capacidade financeira: entre os agregados com um orçamento entre 1.501 e 2.000 euros, 32% acabam por pagar mais, enquanto nos orçamentos superiores a 3.000 euros praticamente todas as colocações são feitas dentro do valor previsto.
Os dados mostram que a maioria das famílias tem uma margem financeira reduzida. Nove em cada dez pedidos analisados têm um orçamento máximo de 2.000 euros mensais e apenas 4% admitem pagar mais de 2.500 euros por uma residência.
A procura acontece, na maioria dos casos, em contexto de urgência. Metade das colocações é concretizada em menos de 15 dias e 87% no prazo de um mês, normalmente após um agravamento do estado de saúde do idoso ou quando a permanência em casa deixa de ser viável.
O estudo indica ainda que 78% dos idosos já apresentam algum grau de dependência quando a família inicia a procura de uma residência. Destes, 61% são semidependentes e 17% totalmente dependentes.
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São sobretudo os filhos que assumem a responsabilidade de encontrar uma solução. Sessenta por cento dos contactos são feitos pelos descendentes e outros 10% por genros ou noras. Apenas 4% dos processos são iniciados pelos próprios idosos.
Na maioria dos casos, a mudança é definitiva. O barómetro mostra que 88% dos pedidos dizem respeito a estadias permanentes, enquanto apenas 12% procuram soluções temporárias.
Lisboa concentra quase metade da procura nacional, com 49% dos pedidos, seguindo-se o Porto (14%) e Setúbal (12%). O perfil mais frequente é o de uma mulher com mais de 75 anos, sendo que 86% dos idosos associados aos pedidos têm pelo menos essa idade.
Para Nuno Saraiva de Ponte, CEO da Via Senior, os resultados mostram um desfasamento entre a capacidade financeira das famílias e o custo das respostas disponíveis. Perante este cenário, defende a criação de um “Cheque Sénior”, inspirado no modelo espanhol, que atribua apoios públicos em função dos rendimentos do agregado e do grau de dependência do idoso, permitindo às famílias suportar o custo das mensalidades e escolher a resposta mais adequada.