Os tempos de resposta do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) têm sido um dos principais indicadores da pressão sobre o sistema de socorro em Portugal. Nos últimos anos, os dados revelam oscilações significativas, com períodos de maior demora e diferenças relevantes entre regiões.
O tempo entre a chamada para o 112 e a chegada de uma ambulância ao local é considerado um dos principais critérios para avaliar a eficácia da emergência médica. Em situações críticas, como paragens cardiorrespiratórias, acidentes graves ou AVC, cada minuto pode ser determinante.
Nos últimos anos, o INEM tem enfrentado dificuldades relacionadas com a falta de profissionais, indisponibilidade temporária de meios e aumento do número de pedidos de assistência. Estes fatores contribuíram para períodos em que os tempos médios de resposta ficaram acima do desejável.
Norte e zonas do interior entre as áreas mais pressionadas
As maiores dificuldades têm sido registadas sobretudo em zonas com menor densidade populacional e maior dispersão geográfica, onde a distância entre meios de socorro pode aumentar o tempo de chegada das equipas.
Também algumas áreas metropolitanas têm registado constrangimentos devido ao elevado volume de ocorrências, com maior pressão sobre ambulâncias e equipas disponíveis.
Lisboa e Porto, apesar de concentrarem mais recursos, enfrentam desafios relacionados com o número elevado de chamadas, enquanto regiões do interior lidam com a dificuldade de garantir cobertura permanente de meios.
Falta de profissionais agravou problemas
A escassez de técnicos de emergência pré-hospitalar tem sido apontada como uma das principais limitações do INEM. Em vários momentos, o instituto teve ambulâncias condicionadas por falta de equipas disponíveis para assegurar turnos.
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O problema levou a críticas dos profissionais e dos sindicatos, que defendem o reforço dos recursos humanos e alertam para o risco de aumento dos tempos de espera.
A recente contestação dos trabalhadores do INEM voltou a colocar o tema em destaque, depois da denúncia de uma possível redução de meios próprios do instituto através da transferência de ambulâncias para as Unidades Locais de Saúde.
Governo aposta numa reorganização do modelo
O INEM defende que a reorganização do sistema permitirá reforçar a articulação entre o instituto, as unidades de saúde e os restantes parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica.
O novo modelo prevê alterações na distribuição de meios e na organização regional dos serviços, com o objetivo de melhorar a eficiência operacional.
Os sindicatos e estruturas representativas dos trabalhadores, contudo, receiam que a redução de ambulâncias diretamente geridas pelo INEM possa aumentar a dependência dos bombeiros e da Cruz Vermelha Portuguesa, com impacto nos tempos de resposta.
Onde estão os maiores desafios?
Entre os principais problemas identificados no sistema estão:
- falta de equipas suficientes para garantir todos os turnos;
- aumento do número de chamadas para o 112;
- concentração de ocorrências em determinadas zonas urbanas;
- dificuldades de cobertura em territórios rurais;
- necessidade de renovação e reforço da frota.
O debate sobre os tempos de resposta do INEM surge numa altura em que o Governo prepara mudanças estruturais no modelo de emergência pré-hospitalar. A principal questão é se a reorganização será suficiente para garantir respostas mais rápidas sem comprometer a segurança dos utentes.
Para os profissionais, a melhoria dos tempos de socorro dependerá sobretudo de um reforço efetivo de meios humanos e materiais. Para o Governo e para a direção do INEM, a aposta passa por uma gestão mais integrada dos recursos existentes.