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Chamaram o 112, a ambulância não chegou: três mortos em uma semana expõem falhas no INEM

Três mortes em apenas uma semana, todas associadas a atrasos na chegada de meios de socorro, voltaram a expor fragilidades graves no sistema de emergência médica em Portugal. Os casos registados em Tavira, no Seixal e na Quinta do Conde revelam um padrão preocupante, concretamente pedidos de ajuda feitos atempadamente, reavaliações de prioridade ao longo das ocorrências e meios que chegam tarde demais.

O caso mais recente ocorreu em Tavira, onde um homem de 68 anos morreu depois de ter aguardado mais de uma hora por socorro. Segundo fonte familiar, a vítima sentiu-se mal ao final da tarde de quarta-feira, após ter ido à farmácia e tomado um xarope. A primeira chamada para o 112 foi feita às 18h07, tendo sido seguida de uma segunda chamada a questionar a demora dos meios. Inicialmente classificado como prioridade 2, com um tempo de resposta previsto de 18 minutos, o caso foi reavaliado para prioridade máxima apenas às 18h47, quando os familiares informaram que o homem já se encontrava em paragem cardiorrespiratória. A primeira ambulância só foi acionada às 18h42 e os primeiros meios chegaram ao local mais de uma hora depois do pedido inicial.

Este episódio surge na sequência da morte de um idoso de 78 anos no Seixal, que terá esperado cerca de três horas pela chegada de meios de emergência, e da morte de uma mulher com cerca de 70 anos, na Quinta do Conde, em Sesimbra, que aguardou cerca de 40 minutos por uma ambulância proveniente de Carcavelos, a cerca de 35 quilómetros de distância.

No caso da Quinta do Conde, a situação foi denunciada publicamente pela própria corporação de bombeiros de Carcavelos, que alertou para as consequências diretas da demora no socorro em situações de paragem cardiorrespiratória. “Por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, sublinharam os bombeiros numa publicação nas redes sociais.

Segundo a corporação, a equipa foi acionada às 14h00 e chegou ao local às 14h44, encontrando a vítima já em paragem cardiorrespiratória. As manobras de suporte básico de vida foram iniciadas de imediato, mas o óbito acabou por ser declarado no local. O segundo comandante dos bombeiros de Carcavelos admitiu que não deveria ser normal uma ambulância percorrer 35 quilómetros para responder a uma emergência, mas reconheceu que esta situação “já acontece com alguma regularidade”.

A explicação apontada repete-se nos vários casos: falta de meios disponíveis e retenção de ambulâncias nos hospitais, onde ficam imobilizadas devido à ausência de capacidade para acolher doentes acamados. O presidente do INEM afastou responsabilidades diretas do instituto no caso da Quinta do Conde, atribuindo os atrasos precisamente a estas limitações estruturais.

Os três episódios, ocorridos em diferentes pontos do país e em contextos distintos, convergem num mesmo desfecho trágico e levantam questões sérias sobre a capacidade de resposta do sistema de emergência médica. Para além das decisões clínicas e da classificação das ocorrências, os casos evidenciam um problema mais profundo de gestão de recursos, articulação entre serviços e falta de meios no terreno, de acordo com os bombeiros.

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