A crise entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e os árbitros ficou desbloqueada na madrugada deste sábado, depois de Pedro Proença se ter deslocado a Tomar para uma reunião de urgência que permitiu afastar o risco de boicote à Supertaça Cândido de Oliveira e garantir o arranque da preparação da nova época.
O encontro, que durou cerca de uma hora e vinte minutos, surgiu na sequência da polémica provocada pela divulgação de áudios em que o presidente da FPF criticava a arbitragem portuguesa. Na sexta-feira, os árbitros tinham recusado iniciar a primeira Ação de Reciclagem e Avaliação (ARA) da temporada e admitiam não comparecer na Supertaça, exigindo um pedido de desculpas público de Pedro Proença.
Segundo informações divulgadas este sábado, Pedro Proença apresentou esclarecimentos sobre o contexto das declarações, lamentou o clima de tensão vivido nos últimos dias e comprometeu-se a reforçar o diálogo com a classe arbitral. Como resultado da reunião, ficou acordada a criação, já na próxima semana, de um grupo de trabalho para identificar os principais problemas da arbitragem portuguesa e apresentar propostas de melhoria.
A reunião foi aberta pelo presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, seguindo-se a intervenção de Pedro Proença. Os árbitros estiveram representados por Luís Godinho, escolhido pelos colegas para transmitir as principais preocupações da classe, incluindo questões relacionadas com a valorização da arbitragem, condições de trabalho e estabilidade do setor.
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O entendimento alcançado permitiu o início da ação de reciclagem e avaliação prevista para este fim de semana em Tomar, condição essencial para preparar os árbitros para o arranque das competições profissionais. Ficou igualmente afastado o risco de perturbações na realização da Supertaça Cândido de Oliveira, que coloca frente a frente FC Porto e Torreense, em Coimbra, com arbitragem inicialmente atribuída a André Narciso.
A crise teve origem na divulgação, ao longo da semana, de gravações de 2024, quando Pedro Proença liderava a Liga Portugal. Nos áudios, o dirigente fazia críticas à qualidade da arbitragem nacional e tecia comentários sobre responsáveis do setor, desencadeando uma forte contestação dos árbitros, que chegaram a recusar uma primeira reunião com o presidente da FPF e exigiram uma retratação pública.
Com o entendimento alcançado durante a madrugada, Federação e árbitros procuram agora encerrar um dos episódios mais tensos dos últimos anos no futebol português, numa altura em que a nova temporada está prestes a arrancar.