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Abertura

O sinal é claramente positivo e em claro contraste com a retórica – e prática – protecionista e unilateral de Trump e dos seus aprendizes de feiticeiro na Europa e agora também na América do Sul. O discurso de Xi Jinping na abertura da Feira Internacional de Importações da China acentua a tónica na  globalização como fenómeno irreversível, multilateralismo, cooperação e – acima de tudo – abertura. A Feira em Xangai reveste-se de grande importância para a China numa altura em que a “guerra” comercial com os Estados Unidos se agudiza e parceiros europeus e câmaras de comércio se mostram impacientes e insatisfeitos com o ritmo de abertura relativamente ao comércio e investimento externo. As fissuras estão abertas num cenário em que os interesses económicos divergentes se misturam com as agendas políticas polarizadoras. Numa altura em que o mundo se encaminha para a multipolaridade – o que é positivo pois salienta uma maior distribuição de poder – há que proteger e reforçar as instituições multilaterais que se encontram sob pressão. E a China tem dado inúmeros sinais de apoio, a vários níveis, a essas mesmas instituições, ao mesmo tempo que tem estabelecido mecanismos próprios de projeção da sua agenda através do vários fóruns criados com  várias zonas do mundo e, mais recentemente, da iniciativa Faixa e Rota. A abordagem às alterações climáticas e ao combate à fome e pobreza são ótimos exemplos da China como “bom cidadão” da globalização.

Todavia, esses sinais de abertura para o exterior entroncam em sinais contraditórios e preocupantes dentro de portas. E em retrocessos face a passos dados no passado recente. Não restam dúvidas que isso tem também tido reflexos nas regiões administrativas especiais de Macau e Hong Kong. A pujança das autonomias e das caraterísticas diferenciadoras das duas cidades são um ativo estratégico e inestimável para o processo de desenvolvimento nacional, abertura  e projeção externa do país. Vários episódios que se verificaram nos últimos anos – sobretudo em Hong Kong mas em menor medida também em Macau – sinalizam uma diminuição desse mesmo “alto grau de autonomia” e suscitam receios  fundados. Os motivos e contexto são conhecidos, mas a reação tem sido frequentemente desproporcional. A abertura é irresistível e irreversível. Não há que ter medo.   

José Carlos Matias 09.11.2018

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