Início » Open House Macau está de volta

Open House Macau está de volta

O Open House Macau regressa, após oito anos, para abrir ao público espaços raramente acessíveis e promover um novo olhar sobre a cidade, com o objetivo de “projectar Macau como um centro internacional de arquitectura”, diz o curador Nuno Soares

Carol Law

O evento regressa nos dias 7 e 8 de novembro e convida a comunidade a participar ativamente, sugerindo locais e partilhando ideias.

“Queremos projectar Macau como um centro internacional de arquitectura. Falamos frequentemente da indústria do Jogo, o que tem a sua razão de ser. Mas, em termos de cultura arquitetónica, Macau também tem muitas histórias que merecem ser partilhadas e é um lugar com muito significado. Este evento serve precisamente para despertar a atenção do público para este aspecto”, diz Nuno Soares ao PLATAFORMA.

O Open House Macau é organizado pelo CURB – Centro de Arquitetura e Urbanismo e integra a rede internacional “Open House Worldwide”, criada em Londres em 1992 e atualmente presente em cerca de 60 cidades. Macau acolheu a iniciativa pela primeira vez em 2018, naquela que foi também a estreia do evento na Ásia.

Na edição anterior, 50 espaços na Península de Macau foram abertos ao público, incluindo o Edifício Rainha D. Leonor, a TDM e a Residência Oficial do Cônsul-Geral de Portugal, alguns com visitas guiadas. “(Na altura) prevíamos a participação de cerca de 1500 pessoas, mas acabámos por ter 5500 participantes, quase quatro vezes mais do que o previsto”, recorda Nuno Soares.

Moldamos a cidade através da construção, e a cidade também molda a nossa forma de viver, de nos deslocarmos e de pensar. A nossa arquitetura transporta estas trocas, refletindo como o espaço é usado, transformado e experienciado ao longo do tempo – CURB – Centro de Arquitetura e Urbanismo

Este ano, o evento decorre sob o tema “Architectural Dialogues”. Nuno Soares sublinha que o Open House não é exclusivo para arquitetos, mas dirigido a toda a população, com o objetivo de dar a conhecer a arquitetura de Macau e, simultaneamente, revelar as suas características culturais.

Leia também: Festival de Artes e eventos desportivos marcam agenda de maio em Macau

“Este é um lugar construído através de diálogos entre diferentes culturas. Por isso, queremos celebrar o que é intrínseco à cultura de Macau. Além disso, queremos consciencializar o público para a riqueza arquitetónica da cidade”, afirma.

O curador esclarece que o foco não está no património classificado, mas na arquitetura em sentido mais amplo: “Trata-se de edifícios que não são reconhecidos como património. Trata-se de grandes edifícios. Trata-se dos edifícios que compõem a malha da nossa cidade”.

A seleção dos espaços não segue critérios rígidos nem listas oficiais, é antes “uma lista de edifícios cuidadosamente selecionada pelos curadores e pela comunidade”. A organização admite que alguns locais da edição anterior podem não voltar a abrir e está a recolher sugestões do público, alargando o alcance da iniciativa da península à Taipa.

Este ano, o Open House Macau conta com outras atividades de extensão, incluindo um concurso de fotografia e dias abertos de ateliers

A participação da comunidade é considerada essencial: “Isto é bastante importante porque nós sabemos o que sabemos, mas a comunidade em geral sabe muito mais do que nós. Por isso, é realmente muito importante ouvi-los, para que possamos descobrir espaços que ainda não conhecemos”, explica Nuno Soares.

Ao contrário de outros eventos semelhantes, o Open House Macau mantém geralmente o acesso gratuito mediante registo. Ainda assim, a sustentabilidade financeira continua a ser um desafio.

Leia também: Tonan Quito leva monólogo de Tiago Rodrigues ao Festival de Artes de Macau

Nuno Soares admite que uma das principais “lições” da edição anterior foi a necessidade de maior apoio, referindo que o financiamento público obtido este ano continua insuficiente para cobrir todas as despesas, incluindo preparação, formação e logística. A organização pretende, por isso, “recorrer a patrocínios” e à “venda de publicações e lembranças”, ao mesmo tempo que recruta voluntários.

Quanto às expectativas, o curador aponta para o reforço da participação jovem. “A ideia aqui é realmente formar uma nova geração de pessoas que estejam empenhadas e que sejam capazes de celebrar a cidade, de interagir com a cidade”.

O objetivo passa por preparar um programa estruturado, com investigação sobre edifícios e formação logística, e alargar a equipa de voluntários para mais de 100 pessoas. “Por isso, este ano queremos expandir os voluntários para que mais pessoas possam ser capacitadas, de modo a que possam depois desenvolver projetos por conta própria”.

Publicação do livro “Open House Macau – Architecture Beyond Walls”

O livro faz uma retrospetiva do evento pioneiro Open House Macau de 2018. O evento “abriu 50 edifícios ao público, mobilizou mais de 100 voluntários e atraiu milhares de residentes e turistas para experienciarem Macau a partir de uma nova perspetiva”, explica o CURB. A publicação inclui fotografias e textos que apresentam a história e as características estéticas dos edifícios. A organização afirma que a publicação “não é apenas um registo do evento, mas também posiciona a arquitetura como um recurso cultural partilhado, e sublinha o papel fundamental que a participação pública desempenha na construção de uma cidade mais inclusiva, mais informada e mais ativa”.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website