A decisão de avançar para Hengqin surge com a transição da empresa do modelo offline para o comércio eletrónico. “Queríamos encontrar um pivot que nos permitisse ganhar presença no mercado do Interior da China e, ao mesmo tempo, manter a ligação a Macau para expandir internacionalmente”.
O dinamismo da Zona de Cooperação Aprofundada de Hengqin e as vantagens crescentes da integração entre as duas regiões foram determinantes para a decisão.
Durante a visita ao parque, três fatores foram decisivos: “as fortes vantagens políticas e o apoio ao desenvolvimento empresarial; a localização estratégica, separada de Macau apenas por um rio, com facilidades de circulação; e a concentração de empresas de comércio eletrónico, streaming e serviços transfronteiriços, com uma cadeia industrial completa e um ambiente alinhado com o nosso negócio”.
Quanto ao processo de instalação, a empresa não enfrentou dificuldades relevantes. Com o apoio do centro de serviços, desde o registo da empresa até ao início da operação, “demorou cerca de um mês e decorreu de forma bastante fluida”. Destaca ainda o modelo de serviços públicos: “uma experiência eficiente, com acompanhamento permanente. Questões como registo comercial ou fiscal têm apoio dedicado, permitindo às empresas focarem-se na atividade principal”.

A empresa aposta no modelo “plataforma de Macau + recursos internacionais + espaço de Hengqin”. “Estamos a tirar partido do papel de Macau como plataforma entre a China e os Países de Língua Portuguesa, usando a sua rede internacional para promover as nossas marcas nesses mercados e no Sudeste Asiático”, explica ao PLATAFORMA.
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Na prática, a divisão de funções é clara: Macau assegura a ligação internacional e a credibilidade da marca, enquanto Hengqin concentra operações, cadeia de abastecimento e execução no mercado. “A combinação das duas realidades melhora significativamente a eficiência e os resultados – é um verdadeiro 1+1>2”.
Essas cidades [Hangzhou ou Shenzhen] destacam-se pela escala e maturidade do mercado interno; Hengqin distingue-se pela sua vocação transfronteiriça e pela ligação a Macau – J. Kai Cheong Sit, presidente executivo de operações da Chi Ao Cultural Co. Ltd
A empresa enfrentou desafios típicos do setor, como integração da cadeia de abastecimento, captação de talento e liquidação transfronteiriça. Segundo J. Kai Cheong Sit, o parque e a zona de cooperação oferecem soluções concretas: ligação a parceiros, incentivos fiscais, habitação para talento e simplificação de processos.
“O parque ajudou-nos a resolver o ‘último quilómetro’ mais difícil no desenvolvimento empresarial”, resume.
Do apoio à expansão
Desde a instalação em Hengqin, a empresa registou progressos relevantes. “Conseguimos levar a marca para fora da cidade, combinando online e offline, e abrir novas oportunidades no comércio eletrónico transfronteiriço”. A entrada em mercados lusófonos e do Sudeste Asiático está prevista a curto prazo.
Mais do que crescimento operacional, trata-se de uma mudança estrutural: “Uma transição para um modelo integrado Hengqin – Macau de expansão global, com impacto direto no futuro da empresa”.

Comparando com polos como Hangzhou ou Shenzhen, o responsável sublinha a diferença: “Essas cidades destacam-se pela escala e maturidade do mercado interno; Hengqin distingue-se pela sua vocação transfronteiriça e pela ligação a Macau”.
A vantagem única reside na combinação de cadeia industrial do Interior da China, acesso internacional de Macau e políticas específicas da zona de cooperação. Para Pequenas e Médias Empresas focadas em expansão internacional, “este modelo é difícil de replicar noutras cidades”.
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Para a nova fase da zona de cooperação, J. Kai Cheong Sit aponta três prioridades: “maior facilidade na circulação de pessoas e capitais entre Hengqin e Macau”; “reforço da cadeia de valor do comércio eletrônico”; e “políticas mais direcionadas para internacionalização de marcas e comércio sino-lusófono”.
Numa frase, resume o posicionamento do parque: “Um ponto alto da cooperação Hengqin–Macau e uma janela para a internacionalização das empresas”.