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Tonan Quito leva monólogo de Tiago Rodrigues ao Festival de Artes de Macau

O monólogo "Entrelinhas" do português Tiago Rodrigues, interpretado por Tónan Quito, é um dos destaques da 36.ª edição do Festival de Artes de Macau (FAM), que arranca a 8 de maio

Lusa - Macau

Numa conferência de imprensa, a presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM), Leong Wai Man, sublinhou que, apesar de ser um monólogo, o espetáculo consegue “através de uma pessoa a atuar num palco, contar uma história completa”.

“Entrelinhas” irá ser encenado em 19 e 20 de maio na Galeria dos Espelhos do Teatro D. Pedro V, o primeiro teatro de estilo ocidental na China, que faz parte do centro histórico de Macau, considerado Património Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Dada a ligação histórica entre Macau e Portugal, a peça “faz todo o sentido” para a edição de 2026 do FAM, cujo tema é “Rota Marítima da Seda como Ponte para o Intercâmbio Cultural”.

O ICM sublinhou que Tiago Rodrigues, dramaturgo, encenador, ator, diretor artístico do Festival d’Avignon, escreveu a peça especialmente para Tónan Quito, numa das várias colaborações entre os dois.

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“Através de um labirinto narrativo, entrelaça o Édipo Rei de Sófocles com as cartas de um recluso à sua mãe – palavras encontradas nas entrelinhas de uma tragédia grega descoberta na biblioteca de uma prisão”, explicou o ICM.

Na apresentação do programa, o ICM recordou que a “relação intimista com o público” de “Entrelinhas” valeu a Tónan Quito a nomeação para Melhor Ator pela revista Time Out em 2024.

Em abril de 2025, Macau recebeu a peça “O Cerejal”, original do dramaturgo russo Anton Tchékhov, com encenação de Tiago Rodrigues e interpretada pela atriz francesa Isabelle Hupert.

Com um orçamento de 22 milhões de patacas (2,32 milhões de euros), menos 6% do que em 2025, o FAM vai apresentar, entre 8 de maio e 27 de junho, espetáculos e atividades de ópera, dança, música artes teatrais e exposições.

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A companhia local Dóci Papiaçám di Macau irá levar ao palco do Centro Cultural de Macau (CCM) a peça em patuá “Agora como? (E agora?)”, em 23 e 24 de maio. O teatro neste crioulo de origem portuguesa faz parte da Lista de Património Cultural Imaterial Nacional chinesa desde 2021.

À margem da apresentação, o encenador dos Dóci Papiaçam, Miguel Senna Fernandes, disse que a peça irá abordar “a distância bastante grande” entre “a recuperação brutal” dos negócios dos casinos e as dificuldades económicas dos pequenos negócios.

“No fundo, é questionar até que ponto, para aqueles que gostam de Macau, querem ficar e recusam-se a partir, o que fazer?” explicou Senna Fernandes. O encenador acrescentou que será “uma espécie de tragicomédia”, mas “com muita picardia”. “Afinal, julgo que neste momento somos o único grupo de sátira aqui em Macau”, sublinhou Senna Fernandes.

Ao contrário do que é tradição, os Dóci Papiaçám di Macau não irão encerrar o festival. A presidente do ICM justificou a alteração com a extensão da FAM, que este ano “dura mais tempo, quase dois meses”. Mas Leong Wai Man lembrou que o patuá “faz parte da cultura de Macau”, defendeu que a peça “continua a ser uma atividade de destaque” e que “é muito amada pelos residentes”.

 

A dirigente disse que o festival irá ainda assinalar o ano de intercâmbio cultural entre a China e o Cazaquistão, que se celebra em 2026.

O espetáculo de abertura, em 8 de maio, é “O Lótus na Rota da Seda – Tradições em Movimento”, que junta no CCM o Grupo de Danças e Cantares Birlik, do Cazaquistão, com grupos de dança locais.

Também do Cazaquistão vem a Companhia de Dança Teatro Jolda, que leva ao palco do CCM o trabalho “Duo de Dança”, em 22 e 23 de maio.

O programa inclui ainda uma mostra de espetáculos ao ar livre, de entrada gratuita, nos dias 22, 23 e 24 de maio, no Jardim do Mercado de Iao Hon, com a participação da associação Casa de Portugal em Macau.

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