Um eclipse solar total é um fenómeno relativamente frequente à escala do planeta, mas muito raro para quem observa sempre do mesmo lugar. Esta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, Portugal volta a ter a oportunidade de assistir à totalidade do eclipse numa pequena faixa do território, enquanto no resto do país o fenómeno será apenas parcial.
A explicação está na geometria entre a Terra, a Lua e o Sol. Para existir um eclipse solar, os três astros têm de ficar alinhados e a Lua tem de passar entre a Terra e o Sol. Mas para que seja total, não basta essa configuração: o observador tem de estar precisamente dentro da pequena zona da sombra mais escura da Lua, a chamada umbra.
A sombra da Lua é muito pequena
É este detalhe que torna os eclipses totais tão difíceis de observar num determinado local. A sombra central da Lua que chega à superfície terrestre é estreita. A NASA explica que o caminho de um eclipse total cobre menos de 1% da superfície da Terra. Por isso, embora um eclipse solar possa ser visível numa área muito extensa, a totalidade fica limitada a uma faixa bastante mais reduzida.
É possível, por isso, que duas localidades relativamente próximas tenham experiências completamente diferentes: numa, o Sol pode desaparecer totalmente durante alguns instantes; noutra, a Lua pode apenas esconder uma parte do disco solar.
Porque não acontece todos os meses?
Há ainda outro fator. A Lua completa uma volta à Terra aproximadamente uma vez por mês e existe uma Lua nova todos os meses. Seria, portanto, lógico pensar que deveria existir um eclipse solar mensal.
Não acontece porque a órbita da Lua está inclinada cerca de cinco graus relativamente ao plano da órbita terrestre em torno do Sol. Na maioria das luas novas, a Lua passa ligeiramente acima ou abaixo do Sol e a sua sombra não atinge a Terra.
Os eclipses só podem acontecer durante as chamadas temporadas de eclipses, períodos em que a geometria orbital permite que os três astros fiquem suficientemente alinhados. Existem, em média, duas destas temporadas por ano.
O eclipse de 2026 é uma exceção para Portugal
O fenómeno desta quarta-feira é particularmente relevante porque a faixa de totalidade atravessa o noroeste da Península Ibérica.
A NASA indica que o eclipse total de 12 de agosto atravessa a Gronelândia, a Islândia, o norte da Rússia, o Atlântico, Espanha e uma pequena zona de Portugal. A maior parte do território português fica fora da faixa de totalidade e verá apenas um eclipse parcial.
Leia mais: Eclipse solar hoje: a que horas começa e termina em Portugal
Em Lisboa, por exemplo, a NASA prevê que cerca de 95% do Sol fique coberto pela Lua, mas não haverá totalidade. A situação é diferente na pequena faixa portuguesa abrangida pela sombra central. É também por isso que o local escolhido para observar o eclipse pode fazer uma diferença enorme.
Um fenómeno raro, mas não único
Há uma ideia frequentemente associada aos eclipses totais que precisa de ser relativizada: não são raros à escala mundial. Segundo a NASA, entre 2000 a.C. e 3000 d.C. ocorrerão 3173 eclipses solares totais, o equivalente a aproximadamente dois eclipses totais por cada três anos. O que é raro é a totalidade passar por um determinado local.
A NASA calcula que a faixa de totalidade de um eclipse é tão estreita que a maioria das pessoas precisa de viajar para outro local se quiser aumentar as probabilidades de testemunhar o fenómeno.
O que torna a totalidade tão especial?
Durante a fase de totalidade, a Lua cobre completamente a superfície brilhante do Sol. É então possível observar a coroa solar, a atmosfera exterior do Sol, normalmente escondida pelo intenso brilho do disco solar.
O céu escurece e a luminosidade muda rapidamente. Mas este período é extremamente curto: para a maioria dos locais situados na faixa do eclipse de 2026, a totalidade dura menos de dois minutos.
E há uma regra fundamental de segurança: durante todas as fases parciais, nunca se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção solar adequada. A exceção é o breve período de totalidade, quando o disco solar está completamente coberto pela Lua.
Depois de 2026, Portugal volta a esperar
A oportunidade desta quarta-feira não significa que Portugal passe a ter eclipses totais regularmente. Já em 2 de agosto de 2027, por exemplo, haverá outro eclipse solar total noutras regiões, incluindo o sul de Espanha, mas em Portugal será apenas parcial.
É precisamente essa combinação de alinhamento astronómico, dimensão reduzida da sombra e localização geográfica que explica por que razão um eclipse solar total é um acontecimento tão pouco frequente para quem o quer observar a partir de Portugal.