De acordo com a organização, citada pela agência Lusa, os dois portugueses encontram-se numa cela com apenas dois metros por dois, equipada apenas com uma cama de cimento e uma latrina. O ClippVe denuncia ainda restrições severas no acesso a alimentação, medicação e água, bem como a proibição de qualquer contacto telefónico com o exterior. A identidade dos detidos não foi revelada.
As declarações foram feitas pela porta-voz do ClippVe, Andreína Baduel, à margem de um protesto junto à Provedoria de Justiça, em Caracas, onde familiares e ativistas denunciaram alegadas torturas, maus-tratos e falta de cuidados médicos prestados a presos políticos no país.
Segundo Baduel, em abril, mais de duas dezenas de estrangeiros detidos em El Rodeo I protestaram para exigir visitas consulares, tendo como resposta alegados atos de tortura por parte das autoridades prisionais. “Apesar do inferno que vivem, os presos políticos venezuelanos tentam ajudar os estrangeiros dentro do possível”, afirmou.
A ativista acusou o regime venezuelano de tentar impor “uma narrativa contrária à realidade”, falando em reconciliação e paz enquanto, segundo diz, persistem práticas de tortura e violações graves dos direitos humanos.
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Defendeu, por isso, que a comunidade internacional deve exercer pressão diplomática coordenada para proteger os seus cidadãos detidos no país.
O ClippVe tem mantido contactos com representantes diplomáticos acreditados em Caracas, incluindo a delegação da União Europeia, propondo a criação de uma coligação humanitária internacional para acompanhar a situação dos presos políticos estrangeiros e venezuelanos.
Andreína Baduel falou também numa base pessoal, recordando que o seu irmão está preso há seis anos e que o seu pai, Raul Isaías Baduel, antigo ministro da Defesa da Venezuela, morreu na prisão por falta de assistência médica adequada. Segundo a ativista, há mais de 40 presos políticos em estado de saúde crítico.
Dados atualizados da organização Justiça, Encontro e Perdão indicam que existem atualmente 667 presos políticos na Venezuela, entre os quais cinco cidadãos portugueses.