O movimento MAGA (“Faça a América Grande Novamente”), que constitui a base de apoio de Trump, está a atravessar uma divisão significativa, embora desigual, em relação ao conflito com o Irão, com um número crescente de figuras de destaque a opor-se à guerra. Aliados mediáticos proeminentes estão a romper fileiras, dando origem a conflitos internos e públicos.
O influenciador conservador Tucker Carlson afirmou recentemente que se arrepende de ter apoiado Trump, devido à decisão de avançar para a guerra com o Irão. “Quero dizer que lamento ter induzido as pessoas em erro. Não foi intencional”, declarou o antigo apoiante de Trump e figura do MAGA a 20 de abril.
Carlson, que conta com milhões de seguidores no movimento, afirmou também que a guerra contra o Irão é um conflito de Israel, aliado dos Estados Unidos, e não contribui para melhorar a segurança norte-americana.
Outra figura influente do MAGA, Megyn Kelly, também criticou Trump devido à guerra, tal como a influenciadora Candace Owens, que acusou a administração de estar comprometida. Trump traiu a sua base ao abandonar “todas e cada uma” das suas promessas, segundo Owens.
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Especialistas referem que um número crescente de influenciadores do MAGA considera que o Presidente quebrou compromissos de campanha que sustentaram o seu apoio nas eleições de 2024.
“Trump tem um grande problema com vários influenciadores de alto perfil que o apoiaram em 2024, mas que agora sentem que ele traiu as suas promessas eleitorais. Prometeu acabar com guerras externas, mas bombardeou vários países”, afirmou o investigador sénior da Brookings Institution, Darrell West, à agência chinesa Xinhua. Trump reagiu às críticas, classificando as figuras mediáticas que se opõem à guerra como “perdedores”.
Embora algumas personalidades mediáticas critiquem o conflito como uma política de “América em último lugar”, sondagens indicam que uma parte significativa dos republicanos do MAGA apoia a ação militar no Irão, segundo um inquérito ABC News/Washington Post/Ipsos divulgado na sexta-feira (1). Em contraste, 61% dos norte-americanos consideram que a guerra foi um erro.
Entre os apoiantes comuns de Trump, as opiniões são mais divididas. Martin Abbot, de 28 anos, trabalhador da construção civil nos arredores de Washington, afirmou não acreditar na guerra. “Já temos problemas suficientes aqui. Não precisamos de estar lá”, disse à Xinhua, recordando que Trump prometeu pôr fim a guerras externas desnecessárias.

Pessoas participam numa manifestação contra os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a 7 de março de 2026 (Fotografia: Zhang Fengguo/Xinhua).
Outro apoiante, Arlen Bishop, partilhou uma visão semelhante, afirmando que o conflito com o Irão desvia a atenção da agenda interna do MAGA. Com as eleições intercalares previstas para Novembro, vários analistas consideram que esta divisão pode prejudicar o Partido Republicano.
“Estes problemas serão uma questão importante para Trump nas próximas eleições, porque esses influenciadores têm milhões de seguidores e as pessoas estão a sentir-se desiludidas”, afirmou West.
O professor de ciência política no Saint Anselm College, Christopher Galdieri, indicou que, embora os eleitores do MAGA dificilmente votem nos democratas, muitos republicanos poderão ficar desmotivados e optar por não votar. “Isto pode transformar uma onda azul em algo mais próximo de um tsunami azul”, afirmou à Xinhua.
Entretanto, os meios de comunicação norte-americanos noticiaram na sexta-feira que Trump enviou uma carta aos legisladores a indicar que a guerra contra o Irão foi “terminada”, uma vez que a ação militar – iniciada sem aprovação do Congresso – atingiu o limite legal de 60 dias.
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Nos termos da Resolução de Poderes de Guerra, aprovada em 1973, o Presidente dos Estados Unidos deve terminar a ação militar no prazo de 60 dias após notificar o Congresso, salvo autorização para a sua continuação.
Os Estados Unidos e Israel lançaram operações militares de grande escala contra o Irão a 28 de Fevereiro. A administração Trump notificou formalmente o Congresso a 2 de março, fixando o termo do prazo legal a 1 de maio.
Na carta, Trump informa os legisladores sobre alterações na postura dos Estados Unidos em relação ao Irão, no âmbito dos seus “esforços para manter o Congresso plenamente informado, em conformidade com a Resolução de Poderes de Guerra”.
No entanto, o documento sublinha também que “a ameaça do Irão continua significativa” e que o Departamento de Defesa continuará a “ajustar a sua postura de forças” conforme necessário.